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Conservação do solo e produção com sustentabilidade: benefícios dos Projetos Integra SP e CATI Leite

Postado em: 10/04/2015

A paisagem rural de São Paulo, em grande parte é dominada por pastagens, muitas vezes degradadas. Apesar de ser considerado um dos melhores para a agropecuária, o solo paulista está em estado de alerta: cerca de 80% da área ocupada com alguma atividade agrícola encontra-se com algum grau de erosão.

As áreas de pastagem do Estado somam 7,8 milhões de hectares (40% das terras agricultáveis). Desses, estima-se que 4,6 milhões de hectares estão em estágios iniciais ou medianos de degradação e 1,5 milhão de hectares apresentem estágio avançado. A meta do governo estadual é a recuperação de pelo menos 20% das áreas degradadas até 2020. “Existe estoque de tecnologias aptas para reverter esse processo, cabendo, entretanto, a indicação segura de soluções para as diferentes situações. Como consequência da aplicação e adaptação das tecnologias, é possível aumentar significativamente a capacidade de suporte das pastagens e a reintegração de áreas degradadas ao processo produtivo de grãos, carne e leite, fibras e energia, gerando receitas e aumento na oferta de empregos e serviços, bem como na venda de insumos, propiciando modificações profundas nas economias locais. Outro efeito altamente positivo esperado é a mudança do comportamento do produtor com relação ao tratamento das pastagens e à inclusão de lavouras no seu complexo produtivo”, explica Mário Ivo Drugowich, diretor do Centro de Informações Agropecuárias e engenheiro agrônomo especialista em conservação do solo.

 Nesse contexto, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento, por meio da CATI, vem desenvolvendo dois projetos que estão contribuindo para a recuperação de áreas degradadas em diversas regiões: Integra SP e CATI Leite.

 

Projeto Integra SP

Criado para recuperar áreas com algum grau de degradação, o Integra SP tem como meta recuperar 300 mil hectares no Estado, indo ao encontro do Programa Estadual de Mudanças Climáticas, já que suas ações têm impacto direto na sustentabilidade do solo e dos recursos hídricos, principalmente neste período de crise hídrica pela qual passa a região Sudeste. “O Projeto tem duas vertentes: a primeira na forma de subvenção, para a Recuperação de Áreas Degradadas por Grandes Erosões (Radge), caracterizada pela necessidade de intervenção de máquinas de grande porte; e a segunda, na forma de financiamento a juros subsidiados pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, o Feap, para a adoção do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e outras tecnologias disponíveis e indicadas para as mais diversas situações.”, informa Mário Ivo.

Para concretizar as ações, por meio da subvenção para Radge, que pode ser utilizada em ações de correção do solo e controle de voçorocas, serão concedidos até R$ 10 mil por beneficiário. A outra linha financiará desde o processo de adubação e cobertura do solo até a implantação de sistemas integrados de produção. O limite é de R$ 200 mil, com juros de 3%, podendo ser reduzidos a até 2,25% por pontualidade na amortização, ao ano e prazo de oito anos para pagar. Se o projeto incluir o cultivo de floresta na integração, o prazo será de 12 anos para o pagamento.

A execução do Integra SP é feita pela equipe de técnicos da CATI, que são responsáveis pela elaboração de um projeto em parceria com o produtor rural, para traçar o plano de trabalho mais adequado a cada propriedade. Para o pleno desenvolvimento estão previstas instalações de 250 Unidades Demonstrativas (UDs), tanto em propriedades públicas como particulares, com a função de demonstrar e transferir a tecnologia do Projeto; capacitação de técnicos da CATI, responsáveis pela implantação e por oferecer apoio direto aos produtores rurais; capacitação e benefício para quatro mil produtores; elaboração de 450 projetos que poderão contemplar desde a reforma da pastagem até a adoção dos diferentes sistemas indicados.

Até o momento estão sendo desenvolvidas ações em diversas regiões do Estado. Um exemplo são as atividades da CATI Regional Dracena, onde estão em execução 10 projetos de Radge que, segundo o engenheiro agrônomo Adalberte Stivari, promoverão enormes ganhos de produtividade nas áreas de pastagens, liberação de áreas para a produção, bem como redução no risco de novas degradações no solo. “Além desse exemplo, muitas outras Regionais já elaboraram e entregaram projetos sob o mesmo foco, cada qual com uma característica distinta”, informa Mário Ivo.

 Projeto CATI Leite

Criado em 2007, o Projeto CATI Leite tem como objetivo melhorar o cenário da pecuária leiteira mediante prestação de uma assistência técnica profissional e especializada aos produtores, por meio da transferência de tecnologia aos extensionistas e produtores, não só na área da atividade leiteira como na de produção intensiva de forragens, alimentação complementar e sanidade do rebanho, qualidade do leite, reprodução animal, protocolo de Boas Práticas Sanitárias e segurança alimentar, mas também no aprimoramento dos conhecimentos em planejamento operacional e estratégico, comercialização, associativismo, entre outros.

Implantado em cerca de 1.500 propriedades, abrangendo aproximadamente 20 mil hectares em todo o Estado, o Projeto tem beneficiado milhares de famílias, muitas das quais se mantiveram na atividade leiteira por conta das metodologias e tecnologias adotadas que, em alguns casos, ampliou a produção diária de 50 litros para 400 litros de leite, em pequenas propriedades essencialmente familiares.

 Além dos benefícios ligados à geração de renda e emprego pelo aumento da produtividade, o CATI Leite tem um impacto positivo na conservação do solo. “O Projeto inicia-se com a alimentação do rebanho, utilizando a pastagem como a maior fonte de volumosos disponível para os animais, uma vez que bem manejada ela é o volumoso  de melhor qualidade disponível para rebanhos  leiteiros a um custo mais barato. Para se  obter uma pastagem com qualidade é necessária uma adequada e criteriosa conservação do solo,  fazendo anualmente as correções e adubações adequadas, após realização de análise do solo.    A implantação do manejo intensivo de pastagens, por meio do rodízio de piquetes, respeitando sempre a fisiologia da forrageira implantada para estabelecer o descanso necessário para retornar ao novo ciclo de pastejo, faz com que o solo sempre fique protegido, impedindo que ocorra degradação das pastagens, sob a forma de erosão, aumentando consideravelmente a matéria-orgânica disponível na área”, explica o médico veterinário Carlos Pagani Netto, técnico do projeto CATI Leite, sendo complementado pelo engenheiro agrônomo Pedro César Barbosa Avellar, diretor da CATI Regional Franca: “as tecnologias difundidas pelo Projeto melhoram a estrutura do solo; aumentam o sistema radicular das plantas, o que possibilita melhor utilização dos nutrientes disponíveis. Além disso, o manejo do capim que é deixado mais alto do que nos plantios convencionais diminui o impacto do pisoteio do gado, o que reduz a impactação do solo, bem como intercepta a ação direta das gotas da chuva no solo, evitando a primeira fase da erosão”.

Nas principais Bacias Leiteiras localizadas nas regiões de São José do Rio Preto, Dracena, Guaratinguetá e Bragança Paulista são inúmeros os exemplos de projetos bem-sucedidos e de produtores familiares que tiveram a renda aumentada e a propriedade conservada.

 

 

Jornalista Cleusa Pinheiro - Centro de Comunicação Rural (Cecor/CATI)

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