06/10/2017 09:00

Acesse o video

Celebrado no dia 3 de outubro, o Dia Nacional da Abelha é uma oportunidade para a conscientização sobre a importância desses insetos no processo de polinização de grande parte das culturas agrícolas e espécies florísticas silvestres, o que contribui para a preservação da vida.

Para debater e aprofundar o conhecimento sobre esse tema e, também, para conhecer melhor as abelhas nativas sem ferrão, a CATI, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realizou no próprio dia 3, um encontro que reuniu mais de 100 pessoas, entre apicultores (criadores de abelhas com ferrão), meliponicultores (criadores de abelhas sem ferrão), técnicos de sua rede de extensão rural, educadores, pesquisadores, estudantes e público em geral interessado no assunto, de diversas regiões do Estado. “O público foi bem heterogêneo, o que contribuiu para a qualidade do debate e da troca de experiências. Tivemos a participação de mais de 100 pessoas oriundas de locais. Entre os técnicos e apicultores, tivemos representantes de regiões pertencentes às esferas de diversas Regionais da CATI, como Registro (Vale do Ribeira), Votuporanga, Botucatu e Itapetininga, entre outras, além de cidades da região. Nesses locais a CATI realiza trabalho em parceria com outras instituições na área de apicultura”, informou Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo da Divisão de Extensão Rural (Dextru) da CATI, que foi um dos organizadores do evento.

Para o coordenador da CATI, João Brunelli Júnior, comemorar essa data com ações de conscientização sobre a relevância das abelhas é imprescindível atualmente. “Este evento foi um ato simbólico, mas que reflete a preocupação com a questão ambiental e a sobrevivência desses animais tão importantes, os quais estão ameaçados por conta dos impactos negativos causados pela ação do homem na natureza, como o desmatamento, as queimadas, a intensificação da monocultura, bem como o uso intensivo e indiscriminado de agrotóxicos, aliados às mudanças climáticas, os quais têm causado mortes massivas de abelhas e a diminuição de suas populações em todo o mundo. Podemos dizer que esse dia foi um alerta e nos mostrou que a preocupação deve ser constante, pois não podemos deixar as abelhas desaparecerem”, avaliou o coordenador.

O coordenador ressaltou, ainda, que há anos esse é um tema muito relevante na agenda da instituição. “Nem todos sabem, mas as abelhas são importantíssimas para a agricultura. Não apenas se responsabilizam pela produção do mel e de seus subprodutos, como são fundamentais para a manutenção e para o desenvolvimento da biodiversidade, além de serem essenciais para a produção de alimentos. Isso se deve à sua capacidade polinizadora, que permite o aumento da disponibilidade de frutos e sementes para a manutenção dos ecossistemas. Algumas plantas dependem exclusivamente desses insetos polinizadores para sua reprodução, outras se beneficiam deles produzindo frutos de melhor qualidade; por isso estimulamos a apicultura e a melipolinicultura”.
 

       


Programação

A programação foi diversificada, com palestras, exposição e comercialização de mel e derivados. Segundo o engenheiro agrônomo Osmar, da Dextru, um dos organizadores do evento, a atividade foi pensada para despertar o interesse sobre abelhas e sua relevância para a sociedade em geral. “O Dia da Abelha foi instituído pelo Ministério do Meio Ambiente para ser celebrado com atividades educativas, de divulgação e sensibilização a respeito do valor e da importância grandiosa desses insetos para a sobrevivência e equilíbrio dos ecossistemas. Muitas vezes só damos importância para as abelhas na proporção direta da sua produção de mel, deixando assim de considerar sua importância na preservação de milhares de espécies vegetais que delas dependem, pela polinização, para se manterem nos mais diversos biomas e agroecossistemas. Outro fator importante é que, quando estudamos as culturas agrícolas e o papel das abelhas na polinização de espécies como a maça, o melão, o morango, o café e toda a cadeia da citricultura, percebemos com maior clareza o quanto essas culturas dependem das abelhas para produzirem com notável qualidade e quantidade de frutos”.

Na abertura do evento foi realizada uma homenagem ao meliponicultor Hermelindo Sandri, que se apaixonou pela criação de abelhas nativas sem ferrão aos oito anos de idade; e agora, aos 84 anos, se tornou um grande conhecedor e defensor da preservação de espécies que estão ameaçadas de extinção, sendo que algumas nem foram catalogadas. “Receber essa homenagem por um trabalho que faço por paixão é honra. Tenho feito palestras em várias regiões e até em outros estados para mostrar às pessoas a importância das abelhas nativas, desmitificando a criação, para contribuir com a preservação de centenas de espécies”.

As palestras foram ministradas pelo biólogo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Meio Ambiente, Ricardo Costa Rodrigues de Camargo, que é também presidente da Associação de Meliponicultores do Estado de São Paulo (Amesampa). “O espaço aberto pela CATI demonstra a sensibilidade da instituição para falar de um tema tão importante para toda a sociedade. Este evento foi uma oportunidade de reunir produtores, interessados e consumidores em geral atraídos pelo símbolo que a abelha representa para a vida. Foi um tempo de aprendizado, mas também de troca de saberes e experiência entre os criadores e o público. Eventos como esse têm a capacidade de promover encontros do bem, que trabalhem temáticas transversais; no caso das abelhas, podemos falar delas como agentes polinizadores; agente ambiental para as crianças; sua importância no sistema agrícola; como agente ecológico, polinizando as matas. Mas também foi um dia de alerta contra a mortandade das abelhas que tem ocorrido em todo o mundo, por inúmeros fatores, entre os quais o uso indiscriminado de agrotóxicos. Por isso, a realização deste evento na CATI se torna ainda mais relevante, pois é fundamental que todos os atores envolvidos possam assenta-se e buscar soluções para mudar este cenário. Boas iniciativas já têm sido praticadas com a produção em sistemas agroecológicos e incentivo à produção orgânica”. 

Na parte prática, os participantes conheceram melhor espécies de abelhas nativas sem ferrão e também algumas com ferrão, tendo suas dúvidas esclarecidas por meliponicultores e apicultores experientes. “A nossa Associação foi formada em 2013, contamos com associados que criam abelhas comercialmente e também a preservação da espécie. O evento foi importante para divulgar o nosso trabalho e desmistificar a atuação com as abelhas, uma boa parte da população desconhece essas abelhas. Para se tornar um meliponicultor, o principal é estudar; elas são insetos delicados, conhecer a sua biologia para criá-las racionalmente, damos auxílio iniciar o pontapé inicial. Temos literatura disponível e apoiamos os projetos”, diz Estanislau Missio, meliponicultor e integrante da Amesampa.

Para Osmar Mosca Diz, por conta de sua programação dinâmica, o encontro ofereceu uma oportunidade para troca de saberes e experiências a respeito das abelhas e um momento de estudo e reflexão sobre sua importância nos ecossistemas. “As informações e o conhecimento transmitido com certeza serão muito úteis, não apenas aos meliponicultores e apicultores, mas a todos os interessados que compareceram. Hoje, ficou claro que precisamos, a cada dia, estudar, reconhecer e divulgar o valor e a importância das abelhas, bem como protegê-las, para que a nossa relação com a natureza seja feliz e sustentável. Não podemos prescindir de propor e realizar ações nesse sentido. Por isso comemoramos o Dia da Abelha junto com elas e com todos os que puderam vir participar conosco desse momento”.
 

       


Depoimentos

Para os organizadores, a atividade superou as expectativas e poderá ser incluída no calendário de eventos da instituição. A avaliação dos participantes confirmou o balanço feito pelos organizadores.

“Cumprimento a CATI pela realização desse evento. É imprencindível que as pessoas saibam a importante função das abelhas para o meio ambiente e para sobrevivência das espécies, inclusive a humana. A partir desse seminário e dos conhecimentos aqui transmitidos vamos aprimorar o projeto de lei, para que sejam estabelecidas ações de proteção às abelhas em Campinas. Pelo trabalho fantástico que a CATI já realiza com a capacitação dos produtores rurais e também na divulgação de conhecimentos e tecnologias, com certeza a queremos como parceira em mais esse projeto e nos trabalhos que realizaremos”, Luiz Carlos Rossini, vereador, presidente da Comissão do Meio Ambiente da Câmara Municipal de Campinas.

“Participar do evento nos trouxe mais conhecimento sobre a meliponicultura e também foi um espaço excelente para comercialização de nossos produtos. A interação com as pessoas e a possibilidade de mostrar um pouco do nosso trabalho foi gratificante. Ficamos muito felizes de ter sido convidados pela CATI, que tem nos apoiado muito, principalmente por meio do Projeto Microbacias II, que agregou valor à nossa produção, a qual é bem diversificada com olericultura, apicultura e meliponicultura, ranicultura e fruticultura e tem nos fortalecido como organização”, Raul Rodrigues Leite, apicultor e cooperado da Cooperativa de Produtores Rurais de Juquitiba e Região.

“Sou apicultor por paixão. Participar desse evento foi muito interessante, pois ampliou o meu olhar sobre a atividade, me trazendo informações também sobre a meliponicultura. As palestras e a troca de experiências foram ótimas”, Benito Ferreira Gonçalves, aposentado e proprietário rural em Artur Nogueira.


Ações da CATI em prol da conservação das abelhas e do desenvolvimento da apicultura paulista

Considerada uma das grandes opções para a agricultura familiar, por proporcionar o aumento de renda e fixação do homem no campo pela oportunidade de aproveitamento da potencialidade natural do meio ambiente e da sua capacidade produtiva, a apicultura está em franca expansão e precisa de estímulo e incentivo. “Em São Paulo, é fato que existe um grande potencial apícola (flora e clima) não explorado e a grande possibilidade de se maximizar a produção. Para tanto, é necessário que o produtor possua conhecimentos mais específicos para aumentar a produtividade”, explicou João Brunelli, coordenador da CATI.

Por isso, a instituição, atenta ao movimento crescente da apicultura em São Paulo, tem incentivado os apicultores a se organizarem, visando à formalização da produção artesanal, com agregação de valor e maior inserção no mercado. Para tanto, além de orientação técnica, tem realizado a transferência de tecnologia gerada pela pesquisa, por meio de capacitações, entre outras ações. Por meio do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, associações e cooperativas de produtores familiares e de comunidades tradicionais (quilombolas e indígenas) têm sido beneficiadas com recursos para a aquisição de equipamentos e construção das chamadas Casas do Mel, áreas para o beneficiamento de produtos apícolas. Até o momento foi investido mais de R$ 1,6 milhão. “Estamos apoiando projetos em todo o Estado, envolvendo inúmeras famílias, contribuindo para que as atividades de apicultura e meliponicultura gerem renda do ponto de vista econômico, com agregação de valor, colocando no mercado produtos da agricultura familiar com rótulo (mel e derivados). Temos um grande número de técnicos envolvidos nesse trabalho, com atuação constante”, informa Brunelli.

Presidente da Associação de Apicultores do Polo Cuesta, do município de Itatinga, o apicultor Joel Santiago de Andrade falou sobre a importância do Projeto Microbacias II, desenvolvido pela CATI, para a expansão da atividade dos associados. “Tivemos a primeira Proposta de Negócios aprovada em 2011. De lá pra cá, nossa situação na Associação mudou muito. Tínhamos 30 associados, hoje mais de 80; dispomos de melhores condições e estrutura para beneficiar o mel; conseguimos agregar valor e obter um preço melhor, antes vendíamos o mel a R$ 4,50 o quilo, hoje comercializamos a mais de R$ 12,00 o quilo. Nosso produto passou a ter mais mercado; muitas vezes antes de colhermos o mel, ele já está vendido”.

Outras ações. Para contribuir com a difusão de conhecimento, a instituição tem disponível no seu catálogo de publicações o Boletim Técnico 202 – Apicultura, importante material que auxilia os iniciantes e estimula os apicultores de longa data. Ainda na área editorial, a CATI mantém disponível em seu site uma edição especial da Revista Casa da Agricultura sobre o tema, que pode ser acessada via link http://www.cati.sp.gov.br/revistacasadaagricultura/17/index.html.

A instituição também mantém um projeto educativo sobre a meliponicultura, sob a coordenação de Osmar Diz, da Dextru, no âmbito do Projeto Fazendinha Feliz, que congrega também o projeto Horta Educativa nas escolas. “As abelhas nativas sem ferrão representam um patrimônio da nossa biodiversidade e não podemos correr mais riscos de extinção. No Brasil, existem entre 250 e 300 espécies dessas abelhas, as quais são pouco conhecidas, entre elas a jataí, a mandaçaia e a iraí. Além de polinizarem as espécies silvestres e as culturas agrícolas, sobretudo as frutíferas e hortaliças, essas abelhas produzem méis de valor biológico elevado, própolis e pólen utilizados tanto na indústria farmacêutica quanto na alimentícia. Estamos montando um meliponário na Fazendinha Feliz e já realizamos diversas oficinas, que reuniram pessoas interessadas em ver e ouvir sobre as abelhas nativas”, informou Osmar.

Integrante do grupo de educadores que participam desse projeto da CATI, Maria de Lourdes Gomes da Silva, orientadora pedagógica do Centro de Educação Infantil do Agostinho Pátaro, de Campinas, enalteceu a iniciativa do evento e falou sobre os desdobramentos para o projeto nas escolas. “Faço parte do grupo que já vem discutindo sobre a importância da horta escolar e, agora, sobre a temática das abelhas sem ferrão. Em nossa escola temos uma grande área verde e um enxame de abelhas jataí. As informações que a CATI nos transmite têm possibilitado trabalhar esse tema na teoria e na prática com as crianças. Participar do projeto tem sido enriquecedor e agregado muito à educação ambiental e ao incentivo à alimentação saudável das crianças”.
 

       


Boa notícia para os meliponicultores paulistas: Secretaria de Agricultura regulamenta o processo de beneficiamento do mel das abelhas sem ferrão

No dia 4 de outubro, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou a Resolução SAA n.º 10.484/2017, para a regulamentação técnica para fabricação, beneficiamento e controle de qualidade da produção do mel das abelhas da subfamília Meliponinae (Hymenoptera apidae), mais conhecida como abelha sem ferrão.

O objetivo da regulamentação é padronizar a identidade, qualidade e os requisitos adequados para o processo de beneficiamento do mel para o consumo humano. A grande beneficiada é a agricultura familiar, já que a melipolicultura tem potencial gerador de emprego e renda, por isso é apoiada por iniciativas da pasta como o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável ­– Microbacias II – Acesso ao Mercado.

No regulamento técnico definiram-se alcance, classificação, processamento, composição, acondicionamento, armazenamento, higiene e rotulagem adequados para a melipolicultura. O documento tem como base científica artigos da Embrapa Meio Ambiente, no âmbito federal, e do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), no âmbito da pasta paulista. Aprovação e registro de estabelecimentos de fabricantes serão feitos pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria, por meio do Centro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Cipoa).

Cleusa Pinheiro - Jornalista - Centro de Comunicação Rural (Cecor/CATI)

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859


jornalismo@cati.sp.gov.br

Voltar


© Copyright 2017 - CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. Todos os direitos reservados.