08/03/2018 08:00

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento 
fez uma série de vídeos, que acompanham esta reportagem, com depoimentos de mulheres que atuam na extensão rural, 
na pesquisa e na produção agropecuária,  colhidos para uma mostra  da força feminina dentro do governo do Estado de São Paulo, 
no segmento do agronegócio.

 

Em um ambiente tradicionalmente masculino, nos últimos anos as mulheres vêm deixando de ser expectadoras no processo de desenvolvimento sustentável do agronegócio e têm se tornado protagonistas, não só de suas histórias, mas de muitas comunidades e entidades que promovem transformações econômicas, sociais e ambientais no meio rural.

“As mulheres têm atributos importantes que contribuem favoravelmente para o futuro do agronegócio e também das instituições que atuam no segmento. Elas têm características intrínsecas como serem detalhistas, criativas, interessadas, comunicativas e empáticas; qualidades essenciais para gerir negócios agrícolas em tempos de adoção de tecnologias que revolucionam a produção (inclusive dos agricultores familiares) e o de gestão de pessoas, em um cenário complexo ocasionado pela falta de mão de obra no campo”, constata João Brunelli Júnior, coordenador da CATI, destacando que as mulheres que atuam na instituição, tanto na área técnica como na administrativa, têm rompido fronteiras e colocado essas características a serviço da agricultura, fazendo diferença por um mundo mais justo e igualitário, parabenizando a cada uma pelo Dia Internacional da Mulher.

Quanto às mulheres que estão na lida cotidiana no campo, Brunelli fala com orgulho das mudanças que vêm ocorrendo em São Paulo e da contribuição da CATI, que desde seus primórdios busca envolver as famílias nas ações de extensão rural. “Nas décadas de 1960 e 1970, a instituição já realizava projetos na área de economia doméstica, com projetos voltados à inclusão de toda a família rural. Ao longo dos anos, fomos avançando na inclusão das mulheres na gestão da propriedade e da produção. Hoje, no âmbito do Projeto Microbacias II, temos muitas mulheres à frente das organizações beneficiadas, como presidentes de associações e/ou cooperativas, função impensável até há alguns anos, por razões culturais da sociedade brasileira, evidenciadas principalmente no meio rural”.
 

              
vídeo: goo.gl/ph5LF2                                                                                                 vídeo: goo.gl/wec49P


Brunelli ressalta, ainda, que, no contexto do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, o Microbacias I, muitas mulheres deixaram de ser coadjuvantes e passaram a ter papel de destaque nas ações. “Isso foi preponderante para a inclusão de toda a família no Programa”.

Helena Maria Assis Vilka, produtora, doceira e feirante de Jacareí, é uma dessas mulheres. Hoje é membro de diversos órgãos ligados ao segmento rural, mas nem sempre foi assim. “Até completar 30 anos de casada, minha vida foi exatamente como meu pai disse que deveria ser: crescer, casar, ter filho e trabalhar na roça. Mulher não precisava estudar, ele dizia. Por isso, só tenho o segundo ano primário. Durante uma visita do técnico da Casa da Agricultura, para falar sobre o Programa de Microbacias, entendi que podia fazer muito mais. A partir daí, fui conquistando espaço diante da comunidade”.

No início dos anos 2000, a CATI organizou encontros de mulheres, tendo a Regional Pindamonhangaba como pioneira na ação, os quais tinham como objetivo discutir o papel da mulher na zona rural, seus anseios e suas necessidades. O resultado, segundo os organizadores, foi mais autoestima e mulheres redescobrindo a sua força, diante das adversidades do campo.

Cláudia Helena Torres, produtora de café, é uma mulher que tem consciência da importância de seu trabalho. “Cursei a faculdade de Educação Física, mas trabalhei por 12 anos em outra área, apesar de a minha família ser produtora de café. Depois, a pedido do meu pai, fiz um curso de Agronegócio no Instituto Federal, em Barretos; na primeira semana de aula, vi que era o que eu queria. Hoje, estou cursando Agronomia, com o objetivo de contribuir para a nossa produção e o meio rural onde estamos inseridos. Às outras produtoras deixo uma mensagem: estudem sempre, busquem conhecimento e façam-se respeitar como pessoa e profissional, pois assim conseguiremos melhorar o nosso segmento”.
 

       

                                      vídeo: goo.gl/FFkrZL                                                                             vídeo: goo.gl/5kD7fi

Presença feminina na Secretaria de Agricultura e Abastecimento: força e delicadeza impulsionando o desenvolvimento sustentável

Na Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), o pensamento sobre a atuação das mulheres no segmento rural foi explicitado na mensagem de abertura das entrevistas realizadas com representantes dos diversos órgãos que compõem a pasta e produtoras rurais, em uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher: “com dedicação e competência, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço profissional, contribuindo em setores fundamentais para a economia, como o agropecuário”. 

De acordo com o Departamento de Recursos Humanos da SAA, a pasta tem hoje 3.913 funcionários, dos quais 1.472 são mulheres. Já na CATI, em um universo de 1.333 funcionários, 434 são mulheres, representando mais de 30% do quadro. Com a efetivação do concurso realizado pela SAA no início deste ano, esses números tendem a crescer. 

Adriana Verdi, coordenadora substituta da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), também expressa a sua vivência. “Tenho uma ligação muito forte com o agro, por conta do exemplo dos meus pais e avós que eram produtores. Entrei na SAA em 2005 e sempre fui bastante respeitada; me sinto muito feliz aqui, pois, mesmo sendo geógrafa, tenho somado com meus colegas agrônomos e conseguido contribuir para o bom desenvolvimento dos trabalhos. Embora a mulher assuma uma série de responsabilidades, a sociedade ainda tem uma cobrança muito grande sobre elas, no lar e na área profissional, mas estamos presenciando várias conquistas femininas no mundo agro, na pesquisa, na extensão e na produção agropecuária. Ver as mulheres assumindo a gestão do agronegócio é uma grande vitória”.

Atuando na CATI, na Casa da Agricultura de Arealva (ligada à CATI Regional Bauru), Milaine Trabuco Labella, fala sobre a sua experiência de ser mulher e extensionsista. “Posso dizer que sou ‘nativa da propriedade rural’; meu pai e meus irmãos são produtores, apesar de ser conhecida no município, no início do meu trabalho na Casa da Agricultura os produtores tinham um pouco de receio; até meu pai, quando eu ia a Dia de Campo, dizia: ‘Onde você vai? Lá só tem homens’. Mas eu o lembrava que estava junto com ele, inclusive. Hoje, tenho a confiança dos produtores e eles ficam bem à vontade comigo. Sou muito feliz com a minha profissão”.
 

       

                                         vídeo: goo.gl/DiqWUU                                                                            vìdeo: goo.gl/LZUjVA

Brasil realizou campanha internacional pelo direito das mulheres rurais em 2017


Mais de 14 milhões de mulheres que estão nas lavouras, comunidades quilombolas e indígenas, bem como nas reservas extrativistas, são protagonistas da agricultura familiar no Brasil; 45% dos produtos são plantados e colhidos pelas mãos femininas. Segundo o Censo Agropecuário de 2006, 12,68% dos estabelecimentos rurais têm mulheres como responsáveis, assim como 16% dos estabelecimentos da agricultura familiar.

Segundo dados do Censo 2010, as mulheres rurais são trabalhadoras, responsáveis, em grande parte, pela produção destinada ao autoconsumo familiar e contribuem com 42,4% do rendimento familiar. O índice é superior ao observado nas áreas urbanas, de 40,7%.

Falando de um panorama internacional, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirma que as mulheres rurais cumprem uma série de funções-chave para a segurança alimentar regional, mas enfrentam altas taxas de pobreza e insegurança alimentar; e um grande número ainda tem menos acesso aos recursos produtivos como terra, água, crédito e capacitação, fatores que impedem que as mulheres rurais da América Latina e do Caribe desenvolvam todo o seu potencial.

Diante desse cenário, a FAO liderou, em 2017, a campanha internacional #Mulheres Rurais, mulheres com direitos, junto com a Reunião Especializada em Agricultura Familiar no Mercosul (Reaf). A iniciativa abrangeu a América Latina e o Caribe com ações realizadas entre os meses de março e novembro, trazendo como temática os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.

No Brasil, a campanha foi conduzida pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) com o objetivo de dar visibilidade a essas mulheres e ao trabalho que desempenham para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável. “O empoderamento valoriza e reconhece as mulheres rurais como protagonistas do desenvolvimento sustentável e econômico do País. Ele é importante para que elas se reconheçam como parte fundamental desse processo”, foi a mensagem transmitida no lançamento da campanha, em março de 2017

No País foram realizadas ações como concursos e reportagens para dar visibilidade ao trabalho feminino no campo, além de oficinas, encontros de capacitação e empreendedorismo feminino, mutirões de serviço e atividades culturais.

Fonte: IBGE; Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).


       

                                        vídeo: goo.gl/iGsWir                                                                                  vídeo: goo.gl/aDphVs

Pesquisa da Abag levanta informações sobre a presença feminina no Agronegócio

Uma pesquisa, elaborada em 2016 e atualizada em 2017, foi apresentada durante o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, realizado em São Paulo há dois anos, pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

No estudo, que ouviu mais de 300 mulheres que atuam na agropecuária, 60% das entrevistadas tinham curso superior e 88% são independentes financeiramente. “Apesar de se mostrarem satisfeitas com a atuação nesse setor, 71% das mulheres consultadas consideraram que já enfrentaram problemas motivados por questões de gênero, como dificuldades para serem ouvidas ou ascender profissionalmente, mesmo que sejam capacitadas para isso”, avaliou a pesquisa.

A maioria das entrevistadas reside nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, e cuja área de atuação com maior presença feminina é a agricultura, com 42% de participação, sendo as principais culturas soja, milho e hortifrúti. Na sequência foi listada a pecuária, com 25% das mulheres entrevistadas; agropecuária, com 20%; e agroindústria, com 13%.

Cleusa Pinheiro - Jornalista - Centro de Comunicação Rural (Cecor/CATI)

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