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Engenheiro
Agrônomo José Geraldo Carvalho do Amaral
A mamoneira (Ricinus communis L.) é uma planta de origem tropical, possivelmente da Etiópia, leste da África. Resistente à seca e exigente em calor e luminosidade (20º a 30ºC), requer para o seu crescimento e desenvolvimento pelo menos 500mm de precipitação pluvial, equivalentes a 5.000m3 ha-1. Pode ser produzida em altitudes que variam de 300 a 1.500 metros e semeada em vários tipos de solo, exceto nos muito argilosos, sujeitos a encharcamento, salinos e/ou sódicos, com elevado teor de sódio trocável. É uma oleaginosa de alto valor, tanto econômico como social. No Brasil, é uma cultura produzida tradicionalmente em pequenas e médias propriedades, gerando emprego e renda em razão de suas inúmeras possibilidades de aplicação na área industrial, além da perspectiva de potencial energético na produção de biodiesel, tornando-se um agronegócio bastante promissor.
Existem várias cultivares de mamoneira disponíveis para o plantio. Elas diferem em porte, deiscência dos frutos, tipo dos cachos e outras características. A CATI, através da coordenação do Centro de Testes, Avaliação e Divulgação (Cetadi), com a colaboração de várias unidades do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes , desenvolveu a cultivar AL Guarany 2002, obtida mediante seleção massal clássica em mamona Guarani.
Cultivar de boa rusticidade, é resistente à seca e apresenta capacidade de produção média entre 1.000 e 2.000kg/ha de grãos (bagas ou frutos descascados) em condições de sequeiro.
O porte da planta também varia em função da disponibilidade de água, sendo maior quando semeada no início do período chuvoso e diminuindo à medida que se atrasa a época de semeadura. A definição do espaçamento leva em consideração a cultivar, variando de 3m (entrelinhas) x 1m (entre as plantas na linha) até 0,5m x 0,3m. Para a cultivar AL Guarany 2002, recomenda-se espaçamento de 1,5m (entrelinhas) x 1m (na linha) em semeadura de verão e 1m (entrelinhas) x 1m (na linha), em solos de baixa fertilidade e/ou semeadura de safrinha, ou seja, 6.667 plantas ha-1 (verão) e 10 mil plantas ha-1 (safrinha), com gasto de semente em torno de 5 a 10kg ha-1 Para semeadura manual,
recomendam-se duas sementes/cova, com posterior desbaste e, para semeadura
mecanizada, uma semente/cova, considerando
a porcentagem de germinação da semente para o cálculo
de necessidade de semente ha-1. As sementes devem ser colocadas para
germinar a uma profundidade de 5 a 8cm, dependendo do tipo de textura
do solo. Em solos mais leves ou arenosos, sementes mais fundas; nos pesados
ou argilosos, mais rasas. A profundidade dependerá, ainda, do
método de plantio (manual ou mecânico) e do controle de
plantas daninhas. Para o Estado de São Paulo, a época de semeadura vai de setembro a março, desde que haja disponibilidade hídrica e não exista risco de geada. Semeaduras tardias têm reflexos negativos na produção. As restrições são áreas sujeitas a ventos fortes, geada e/ou baixa temperatura e alta umidade relativa por longos períodos. Para regiões com limitações de temperatura por causa de inverno acentuado, o produtor precisa avaliar a possibilidade de semeadura antecipada, ou seja, logo no início do período chuvoso, utilizando cultivares de ciclo curto ou médio, buscando obter produ-ção antes do período com limitações.
A mamoneira é uma planta exigente em nutrientes, razão pela qual é importante fazer a análise de solo. Dados sobre recomendação de adubação podem ser obtidos no Boletim 100 do Instituto Agronômico de Campinas. Recomenda-se a aplicação de calcário para elevar a saturação por bases (V%) a 60% e o teor de magnésio a um mínimo de 5mmolc /dm3. Na semeadura: 15kg/ha de N, 40-80kg/ha de P2O5 e 20-40kg/ha de K2O. Em cobertura, 30-40 dias após a semeadura: 30-60kg/ha de N.
Para adubação orgânica
podem-se utilizar torta de mamona, casca de mamona e outros, 2-3t/ha.
Os restos de cultura
de mamona,
quando incorporados, promovem uma substancial melhoria do solo. A mamoneira é bastante sensível à competição causada pelas plantas daninhas, ocorrendo perda significativa de produtividade em caso de controle inadequado. O período crítico de competição se estabelece nos primeiros 70 dias após a emergência das plantas. Podem-se utilizar diversos métodos de controle de plantas daninhas, como o manual, via uso de enxada, o mecânico com uso do cultivador, o cultural, o químico, com o uso de herbicidas, e o integrado, envolvendo pelo menos dois dos métodos anteriormente citados ao mesmo tempo.
A rotação de culturas é uma das mais importantes práticas agrícolas, embora muitas vezes negligenciada pelos produtores. Trata-se de um método eficaz de prevenção de pragas, doenças e de conservação do solo. Recomenda-se a rotação com culturas como milho, sorgo, amendoim, feijão, adubos verdes, além de evitar plantios sucessivos de mamona na mesma área. Após dois anos, recomenda-se mudar de local e evitar áreas ocupadas com mamonas nativas.
A mamoneira, como toda e qualquer planta domesticada e cultivada, é suscetível a vários insetos e ácaros que podem lhe causar danos. As pragas que, esporadica-mente, podem atacar a mamoneira são percevejo-verde, cigarrinhas, lagarta-das-folhas, lagarta-rosca, lagarta-do-solo, ácaro-rajado, ácaro- vermelho. Existem outros artrópodes que atacam a mamona, o feijão
ou outra cultura que vier a ser consorciada, destacando-se para a mamona
os seguintes: ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e lagarta-imperial
(Eacles imperialis). Para o feijão-vigna, destacam-se: paquinha
(Neocurtilla hexadactyla), vaquinha (Diabrótica speciosa), lagarta-militar
(Spodoptera frugiperda), várias espécies de pulgões,
em especial (Aphis gossypii e Aphis fabae), mosca-branca (Bemisia spp.),
percevejo-vermelho (Crinocerus bimaculatus) e minador-das-folhas (Liriomyza
sativae). Observando-se qualquer sintoma de doença ou incidência de pragas, o produtor deve procurar um agrônomo para que possa receber as orientações adequadas para cada caso. No Estado de São Paulo, a Casa da Agricultura (CATI) do seu município.
O sistema de colheita
varia de acordo com a cultivar utilizada, podendo ser manual ou mecânica. Na colheita A umidade ideal dos frutos para colheita é em torno de 10%. Para dimensiona-mento do terreiro deve-se considerar uma área de 200m2 para a secagem da pro-dução de um hectare de mamona. Os frutos de cultivares deiscentes se abrem depois de secos e soltam os grãos. Os que não abrirem devem ser batidos com varas ou submetidos ao beneficiamento por meio de máquinas simples manuais ou elétricas. Cultivares indeiscentes, como a AL Guarany 2002, necessitam de operação mecânica para separar o grão e a casca.
Depois da secagem e beneficiamento, os grãos (bagas) devem ser armazenados. Utilizam-se sacos de 60kg para colocar os grãos limpos, devendo ser armazenados em local apropriado, com estrado de madeira, para evitar o contato direto dos grãos com água e outros materiais que possam prejudicar a sua qualidade.
É um aspecto fundamental e precisa ser avaliado antes da decisão de plantar mamona. Para iniciar na atividade é necessário conhecer o mercado, verificar os preços locais e internacionais, os compradores próximos e a possibilidade de elaboração de contrato de aquisição com as indústrias interessadas, como garantia de compra da produção. As cotações de preços no Brasil têm por base as cotações de Irecê-Bahia e Roterdã-Holanda, em nível internacional. O Jornal Gazeta Mercantil, de São Paulo, além de vários sites, fornecem diariamente cotações relacionadas à cultura, sendo usualmente utilizadas como referência em contratos de produção.
O Departamento de Sementes e Mudas da CATI, através do Centro de Testes, Avaliação e Divulgação, e seus Núcleos de Produção de Sementes, com destaque para Ataliba Leonel, sediado em Manduri/SP, de onde provêm as cultivares AL, multiplica, em parceria com cooperadores, sementes de mamona AL Guarany 2002 e IAC-Guarani. São sementes certificadas, de qualidade garantida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Além destas, podem ser encontradas sementes de milho, girassol, soja, amendoim, cereais de inverno e outras com os melhores preços do mercado. Mais
informações sobre a produção
de sementes da CATI |
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