CATI 55 anos: você sabe como teve início a Ater em São Paulo?

20 de junho | 1967 - 2022

A CATI - órgão responsável pelas ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo - está completando 55 anos!

No final da década de 1960, a Secretaria da Agricultura passou por uma reestruturação administrativa − buscando maior eficiência na prestação de serviços e assistência técnica direta ao agricultor −, a qual resultou na fusão de diversas de suas unidades. Nesse contexto, era preciso criar um órgão único para centralizar e ampliar as ações.

Nasce, então, em 1967, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), que incluiu essas unidades em sua estrutura, bem como as Casas da Lavoura, criadas em 1942 (que passaram a ser denominadas de Casas da Agricultura, a partir dessa data; e hoje se encontram na maioria dos municípios paulistas), com o objetivo de promover o desenvolvimento agropecuário, por meio de ações educativas, campanhas, programas e projetos voltados ao fomento da produção e à capacitação dos produtores rurais para atuarem no novo cenário que se desenhava no rastro do desenvolvimento industrial paulista.

 

Mas um fato que poucos sabem é que o caminho da Ater paulista foi aberto por pioneiros no final do século 19, mais precisamente em 1887, quando D. Pedro II criou a Estação Agronômica de Campinas, que, sob o nome de Instituto Agronômico de Campinas (IAC), passou a integrar, em 1892, a Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras (atual Secretaria de Agricultura e Abastecimento). Assim, foram lançadas as bases para levar conhecimento e tecnologia para fomentar a produção rural, a qual ainda era estruturada na monocultura cafeeira.

 

Entre as décadas de 1920 e 1930, com o declínio da cafeicultura e a expansão das cidades, que culminou com o aumento da demanda por alimentos, a Secretaria da Agricultura passou a investir fortemente no fomento de outras culturas e em tecnologia para sua expansão. Nesse sentido, nas décadas seguintes, 1940, 1950 e 1960, avançam as ações de assistência técnica diretas ao produtor, simultaneamente com o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias de produção.

 

Breve cronologia da Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de São Paulo

  • 1887 – Criação da primeira Estação Agronômica do País. Contratação do cientista e professor alemão Franz Wilhelm Dafert, para conduzir a implantação. Nascia o Instituto Agronômico (IAC), em Campinas.
  • 1891 – Formação da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
  • 1900 – Organização do Serviço Agronômico do Estado. Criação de Distritos Agronômicos, com inspetores agrícolas que tinham a missão de levantar as necessidades das lavouras, realizar conferências, atender às consultas de lavradores, instalar campos de experiências e demonstração (Pinto, 2000). Época marcada, em termos econômicos, políticos e sociais, pela hegemonia dos grandes proprietários fundiários. Nessas condições, a orientação à lavoura dirigia-se a um público restrito (Bergamasco, 1992).
  • 1911 – Reestruturação da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Criação da Diretoria da Agricultura, composta pelo Serviço de Inspeção e Defesa Agrícola (Sida) e pelo Serviço de Distribuição de Sementes (SDS).
  • 1914 – Criação do ensino itinerante com carros-escola dotados de mostruários de máquinas e instrumentos agrícolas, publicações e sementes para distribuição.
  • 1927 – Diretoria da Agricultura é transformada em Diretoria de Inspeção e Fomento Agrícola (Difa).
  • 1935 – Extinção da Diretoria de Inspeção e Fomento Agrícola. Criação do Departamento de Fomento da Produção Vegetal (DFPV).
  • 1942 – O Departamento de Fomento da Produção Vegetal é incorporado pelo Instituto Agronômico. Por meio dessa fusão, nasce o Departamento da Produção Vegetal (PDV). A função de fomento agrícola passa à Divisão de Fomento Agrícola (DFA). São criadas as Casas da Lavoura, que constituíram a base de todo o trabalho de assistência técnica aos agricultores e difusão de tecnologias. (No período de 1927 até 1942, acontece a consolidação da organização da assistência técnica oficial à agricultura paulista, de caráter fomentista, articulada com a pesquisa).
  • 1949 – Efetivação do Departamento de Engenharia e Mecânica da Agricultura (Dema), criado em 1947, com o objetivo de atender às necessidades da agricultura em termos de mecânica, irrigação e drenagem, bem como no combate à erosão e na difusão de métodos de conservação do solo.
  • 1958 – Criação da Divisão de Assistência Técnica Especializada (Date), com a função de prestar orientação técnica especializada aos profissionais ligados à rede assistencial, com setores de informação no que se refere à comunicação rural e ao planejamento dos programas de assistência técnica, que Oliveira, em obra de 1984, define como “um conjunto de esforços que tem por objetivo aumentar a produção e produtividade do setor agrícola de um país, prescindindo, de certa forma, de considerar o elemento humano como objetivo do processo”.
  • 1958 – Reorganização do Instituto Biológico, com a criação da Seção de Assistência Técnica Vegetal e da Seção de Assistência veterinária, com atuação no interior.
  • 1960 – Criação do Centro de Treinamento de Campinas (Cetrec), órgão especializado para capacitação dos funcionários da Secretaria da Agricultura.
  • 1967 – Criação da CATI. Nesse ano, a Secretaria passa por uma reformulação, que promove a centralização de vários de seus departamentos (acima citados) e divisões em duas empresas de economia mista, sendo a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) e a Companhia Agrícola Imobiliária e de Colonização (Caic); e três coordenadorias: Coordenadoria de Pesquisa Agropecuária (CPA), Coordenadoria da Pesquisa de Recursos Naturais (CPRN) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

        • 1967 – As Casas da Lavoura passam a se chamar Casas da Agricultura. São criadas as Divisões Regionais Agrícolas (Diras) e as Delegacias Agrícolas.