CATI participa de Simpósio Internacional sobre Microbacias em Botucatu

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Do dia 7 a 9 de junho, técnicos, estudantes e professores estiveram reunidos no auditório “Professor Paulo Rodolfo Leopoldo”, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista – campus Botucatu (FCA/Unesp Botucatu), para ouvir palestras e participar de mesas de debates oferecidas durante o 5.º Simpósio Internacional de Microbacias Hidrográficas, que neste ano teve como temática “Biomas Brasileiros: conservação da biodiversidade, solo, floresta e água”. O Simpósio trouxe para este ano experiências realizadas no Canadá, na Espanha, no Equador e no México na área internacional e os exemplos paulistas, como o Projeto Nascentes do Rio Pardo, desenvolvido pela CATI Regional Botucatu.

A CATI dá total apoio ao evento, desde o primeiro Simpósio, realizado em 2005, quando estava em execução pela instituição o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas (PEMH), que tinha um viés ambiental e de 2000 a 2008 atendeu as organizações rurais estabelecidas em mais de mil microbacias do Estado de São Paulo. “A participação da CATI desde a primeira edição tem sido fundamental, pois a instituição traz os técnicos das mais variadas regiões do Estado de São Paulo. Isso faz com a CATI seja responsável por um terço do público participante”, frisou o professor adjunto de Engenharia Florestal e Agronomia, Valdemir Antonio Rodrigues, um dos coordenadores do Simpósio pela FCA/Unesp junto com Luis Alberto Bucci, do Instituto Florestal de São Paulo.

Este ano, segundo os coordenadores, o evento chegou a quase 300 inscrições nos três dias de evento nos quais, além de palestras, promoveu a apresentação de 130 artigos científicos apresentados em banners, com trabalhos desenvolvidos por técnicos, pesquisadores, professores e alunos tanto da Faculdade de Ciências Agronômicas como da Faculdade de Engenharia Florestal, ambas da Unesp/Botucatu. “A CATI Regional Botucatu apresentou cinco trabalhos este ano, dois relativos ao Projeto Nascentes do Rio Pardo, abordando a produção, o manejo e a gestão da água; e outros três, sendo dois voltados ao recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos, com o eixo temático paisagem, solos e recursos hídricos, e um outro sobre o Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, apresentando a reabilitação e manutenção de estradas rurais em Botucatu, previstas pelo Projeto e que mudou a vida dos produtores rurais que precisam escoar a sua produção e viver o dia a dia na área rural, com acesso a segurança, saúde e outros itens fundamentais para a sua qualidade de vida”, explicou o diretor técnico da CATI Regional Botucatu, engenheiro agrônomo Júlio Thoaldo Romeiro.


Um dos coordenadores responsáveis pelo evento,
o professor Valdemir lançou livro sobre os cinco Simpósios.


Para o professor Valdemir, a quantidade de trabalhos demonstra o grande interesse dos alunos. “Estou encerrando este ciclo de Simpósios (o professor anunciou ser este o último) com o lançamento da publicação "Estudos sobre Microbacias - Fábrica de Águas - Jubileu de Prata", à venda durante o evento e posteriormente na própria Livraria da Unesp/Botucatu, assim como os Anais do Simpósio que também já se encontra disponível para aquisição dos interessados.

Além da participação dos extensionistas das mais variadas regiões do Estado, o coordenador da CATI, engenheiro agrônomo João Brunelli Júnior, participou do evento apresentando as ações que vêm sendo realizadas pelo órgão, principalmente em relação à conservação dos recursos naturais e à recuperação de áreas degradadas por grandes erosões, via Projeto Integra SP – Radge. Brunelli também apresentou o Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, explicando que a função da CATI, como órgão extensionista, é levar informações, acesso ao crédito, políticas públicas e tecnologias, para que o produtor possa tirar o seu sustento do campo. “É claro que frisamos a conservação dos recursos naturais e oferecemos as ferramentas para que o agricultor possa usar as tecnologias, os financiamentos e recursos disponíveis, mas a principal função da CATI é garantir que o produtor tenha renda, que possa viver da sua atividade e que as próximas gerações tenham também essa possibilidade. Trabalhamos por uma agricultura sustentável, que respeite o meio ambiente, mas que a atividade se reverta em renda para o produtor. A extensão mostra que é possível produzir e obter renda, conquistar novos mercados, oferecendo produtos de qualidade, produzidos com respeito ao meio ambiente”, destacou Brunelli, que também vem participando desde a primeira edição do Simpósio, demonstrando os resultados das ações realizadas ao longo do tempo pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, via CATI.

Além dos docentes e técnicos, os estudantes, principalmente do quinto ano das duas Faculdades, de Ciências Agronômicas e Engenharia Florestal, também marcaram presença no auditório. Para Rafael Marcolino, que no 1.º Simpósio era estudante e estava no penúltimo ano da FCA/Unesp Botucatu e que desde 2008 atua como extensionista na CATI Regional Botucatu, a realização dos Simpósios foi muito importante em todas as suas edições. “Tenho certeza que conhecer os trabalhos que vem sendo realizados no Brasil e no mundo é uma grande contribuição para a formação dos futuros profissionais que atuarão nessa área de meio ambiente. É preciso que tenham a preocupação com a conservação dos recursos naturais e busquem uma agricultura baseada na sustentabilidade”, frisou Marcolino.

Agora é a vez de estudantes como Amanda Alves Arruda, que cursa o quinto ano de Agronomia, verificar o que tem sido feito em relação à preservação dos recursos naturais, os projetos em execução, os casos de sucesso e os alertas de técnicos como José Luiz de Carvalho, do Instituto Florestal, órgão vinculado à Secretaria do Meio Ambiente, que fez uma retrospectiva demonstrando como era a cobertura vegetal do Estado de São Paulo há 300 anos e o que a expansão, como a do café e das ferrovias nos anos 1920, e as outras intervenções e progressos das cidades causaram. “Hoje, os profissionais da CATI lidam com a erosão que começou a ser causada na época de 1940; em 1973 a cobertura vegetal beirava os 8,3% da área do Estado e, ainda hoje, mesmo com maior consciência ambiental, os reflorestamentos são inexpressivos em relação ao desmatamento”, afirmou Carvalho, concluindo que “plantar florestas também pode gerar lucro”.


O público foi formado por docentes, técnicos e estudantes. A CATI marcou presença sendo responsável por um terço
da plateia que ouviu experiências do Estado de São Paulo e, de quatro países.

Projeto Nascentes do Rio Pardo

A CATI Regional Botucatu, que sempre marca presença nos Simpósios, apresentou este ano o Projeto Nascentes do Rio Pardo, que visa à recuperação das nascentes do principal rio que banha a região e envolve, principalmente, os municípios de Botucatu e Pardinho. Estão sendo trabalhadas 301 propriedades e, até o momento, 120 fossas sépticas já foram instaladas sem custo para o produtor rural. Também já foram feitos terraceamentos em 95ha. “A CATI fez um levantamento, selecionou as propriedades a serem trabalhadas e estamos executando as ações. A contrapartida é zero em relação ao custo, a única exigência é a colocação dos canos da residência até a fossa; o próprio fato de o produtor ter interesse em instalar a fossa séptica já é um sinal de conscientização ambiental. Estamos disponibilizando uma por produtor e ainda há fossas disponíveis; caso haja interesse e a propriedade esteja na área delimitada pelo Projeto Nascentes, basta entrar em contato com a CATI Regional Botucatu ou com as Casas da Agricultura de Botucatu e/ou Pardinho, onde os técnicos poderão tirar as dúvidas e direcionar o produtor”, explica Júlio Romeiro. A área delimitada pelo Projeto Nascentes do Rio Pardo vai desde as nascentes, no município de Pardinho, até a Represa do Mandacaru, em Botucatu. O requisito é o produtor ter feito o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

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