Cooperativa de Amparo apoiada pelo Microbacias II integra ação em que cidadão troca recicláveis por hortifrútis

Cidade mais limpa; agricultores valorizados; alimentos mais saudáveis na mesa do cidadão e pessoas em situação de vulnerabilidade ajudadas. Esses são os objetivos do “Projeto Via Verde”, uma ação socioambiental organizada pela Prefeitura de Amparo, em que a população troca 3kg de recicláveis por 2kg de hortifrútis.

A ação que teve início, como projeto-piloto, no dia 25 de junho, arrecadou em seu quarto dia de campanha, quando a reportagem esteve no município, mais de uma tonelada de recicláveis, número que surpreendeu os envolvidos com o projeto. “Inicialmente, foram selecionados os bairros com grande geração de lixo e com pessoas em maior situação de vulnerabilidade social. Analisamos cadastros das Secretarias da Saúde e da  Assistência Social e optamos por trabalhar, quinzenalmente, em quatro pontos da cidade. O envolvimento da população está sendo surpreendente e pensamos em transformar o projeto-piloto em uma ação contínua”, avalia Hilário Piffer Júnior, especialista em resíduos sólidos e diretor administrativo do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saee) de Amparo.

      

De acordo com o prefeito municipal, Luiz Oscar Vitale Jacob, Amparo gera cerca de 60 toneladas de lixo por dia, sendo que é possível reciclar apenas 18 toneladas. “Queremos incentivar a coleta de materiais recicláveis para a redução de volumes gerados. Com esta ação, o lixo deixa de ir para o meio ambiente e passa a ter como destino uma cooperativa de reciclagem, com pessoas que dependem da venda desses materiais para sobreviver”, diz Jacob, que enaltece a participação da Cooperativa dos Produtores Rurais do Circuito das Águas (Coopciag) nesta ação. “Essa cooperativa é forte e organizada e oferece produtos de excelente qualidade. A população que recebe os alimentos se mostra muito satisfeita. A Cooperativa tanto abraçou a causa que está colocando, nos kits, um pouco mais do que foi combinado! ”.

A Coopciag recebe atendimento da CATI em suas ações e é uma das beneficiadas do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado com apoio do governo para a estruturação de uma agroindústria de vegetais minimamente processados, uma “feirinha de hortifrútis” e outras aquisições como veículos e maquinários. Desde esse apoio, os 38 cooperados trabalham, constantemente, para expandir seus mercados. Com entrega na merenda escolar e em mercados locais, a Cooperativa integra essa ação do bem ao selecionar o que há de melhor em verduras, legumes e frutas para aqueles que receberão os alimentos. O “Projeto Via Verde” conta com apoio de quatro empresas privadas que compram os kits da Coopciag e os repassam para a Prefeitura.”

      

O convite para essa parceria surgiu em um ótimo momento. Estamos em período de férias escolares, em que o movimento nos mercados e as vendas (inclusive para a merenda) diminuem e, portanto, este projeto ajuda o produtor a escoar sua produção e a ter renda. Estamos muito animados com essa ação, pois percebemos a valorização do agricultor local, onde ele tem a oportunidade de participar de um projeto social e de sustentabilidade e o dinheiro circula no município. São vários os beneficiados: a Prefeitura, com menos lixo nas ruas; os cidadãos que ficam com a cidade mais limpa; as pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica, que recebem os alimentos;  os recicladores, que ganham uma renda; e os produtores rurais, que têm mais oportunidades”, anima-se Valéria Gerbi, gerente da Coopciag, que é complementada por Marcos Baptista, diretor da cooperativa. “É muito satisfatório oferecer o que produzimos de melhor para um projeto que além de valorizar nosso trabalho, proporciona alimentos de qualidade para a população”, diz Marcos, que informa que, por dia, 200kg de hortifrútis estão sendo entregues para o projeto. Um dos funcionários da Cooperativa que ajudam a selecionar os alimentos é Nelson Carmin Neto, que se mostra feliz em participar desta ação social. “Isso é um incentivo para todos e é gratificante fazer esses kits”. Ricardo Moncorvo, responsável pela casa da Agricultura de Amparo e que orienta o trabalho da Coopciag, anima-se com a oportunidade. “O projeto é extremamente importante; além do impacto ambiental e social, os cidadãos estão conhecendo e levando para casa alimentos de muita qualidade!”.

      

A população está aprovando essa troca em que todos saem ganhando. “Jogamos muito reciclável no aterro sanitário, o que gera problemas ambientais e gastos para o município. Essa ideia é ótima, porque os benefícios atingirão muitas pessoas. Espero que o projeto continue”, fala a grávida Juliana Silva, que está desempregada. Maria Ângela também aprovou a iniciativa “As ruas não ficam tão sujas e muitas pessoas podem ser beneficiadas. Com esses alimentos farei comida para mim, meu filho, minha mãe, irmão e sobrinhos”.  Ana Carolina Souza, dona de casa, no momento da troca pensou na economia.  “Sou dona de casa e tenho que economizar sempre. Já fazia essa separação da reciclagem, mas com essa ação, passarei a  lucrar”! Henrico, de sete anos, acompanhou a avó na troca e contou sobre a experiência. “Trouxemos garrafas e óleo e ganhamos alimentos que vou comer na salada de hoje”. E tem gente que fez a troca e ainda doou os alimentos. “Separei meus reciclados para trocar por alimentos e doá-los ao albergue da cidade”, diz Elenice Mantovani, coordenadora do Albergue Casa do Caminho.

Outro público beneficiado é formado por seis pessoas que trabalham na Cooperativa de Reciclagem Eco Amparo. Com a campanha, a meta é arrecadar mais materiais reciclados para que possam vender esses produtos separados e aumentar a renda atual de cerca de R$ 250 mensais para R$ 500. “Trabalhamos oito horas por dia separando os materiais. Muitas pessoas já iniciaram no projeto e desistiram. É um trabalho suado e damos o nosso melhor. Deixamos como sugestão que as pessoas reciclem seus materiais: latas, garrafas, aço, papel, ferro e outros materiais. Façam uma limpeza básica e tragam para a Cooperativa”, diz Débora Aparecida da Silva, cooperada, que tem o sonho, com o crescimento do projeto, de trabalhar em uma área melhor estruturada e com equipamentos adequados. Essa ação mostra que é possível trabalhar numa sintonia entre agricultura e meio ambiente tendo como resultado solidariedade, em uma verdadeira corrente do bem.

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859

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