Coordenadora da CATI visita propriedade de Itapira, que teve o primeiro reembolso do Projeto Recuperação de Matas Ciliares, Nascentes e Olhos d’água

 

A coordenadora da CATI, Juliana Cardoso, visitou, no dia 28 de fevereiro, a Fazenda Jardim, no município de Itapira – ligado à área de atuação da CATI Regional Mogi Mirim, que foi beneficiada pelo Projeto Recuperação de Matas Ciliares, Nascentes e Olhos d’Água, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), o qual conta com recursos de subvenção do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap/Banagro). Na ocasião, em um encontro com os extensionistas responsáveis pelas ações no município, produtores e parceiros, a coordenadora conversou com o proprietário da Fazenda, José Batistela, que se tornou no dia 27 de fevereiro, o primeiro beneficiado do Estado, com o reembolso de 95% dos recursos investidos no reflorestamento e no cercamento de uma área, em sua propriedade, no entorno de quatro nascentes que integram a Área de Preservação Permanente da Bacia do Ribeirão da Penha, principal manancial de abastecimento do município.

Aos presentes, Juliana falou sobre a importância do Projeto e disposição da Secretaria de Agricultura em fomentar ações de produção agropecuária com respeito ao meio ambiente. “A percepção de muitos cidadãos do meio urbano é de que o agro é inimigo do meio ambiente. Mas a verdade é que os produtores têm grande responsabilidade quanto à conservação ambiental, pois utilizam os recursos naturais nas suas produções. E esse Projeto tem entre seus objetivos apoiar a regularização ambiental das áreas, promovendo, de fato, o desenvolvimento rural sustentável. Estamos falando de preservação a longo prazo, em especial para manter a qualidade e o volume da água. No entanto o Projeto também tem como prioridade a conservação e manutenção das nascentes nas propriedades, visando não apenas abastecimento de água, mas também à produção agrícola, que precisa de água. Por isso, os produtores sabem que precisam fazer manejo e conservação do solo, visando também, ao aumento da eficiência de seus produtos”.

Durante o encontro, no qual conheceu as etapas de realização do projeto em Itapira, em uma explanação feita por extensionistas da Secretaria de Agricultura, que atuam na CATI nessa região, produtores, representantes do poder público municipal e parceiros, a coordenadora conheceu mais detalhes da área que foi reflorestada com 1.800 mudas de espécies florestais nativas e cercada no entorno de quatro nascentes (660m de cercas). “Com o trabalho feito nesta área, atestamos que esse Projeto é essencial, pois, por meio dele, são subvencionados entre 85% e 95% dos projetos feitos em propriedades rurais, em um teto máximo de R$ 25 mil. E ele é amplo, pois abrange conservação do solo, plantio de mudas, proteção de nascentes, entre outros”, disse Juliana, ressaltando que o Estado é parceiro dos pequenos e médios produtores. “Eles são os que produzem os nossos alimentos e estão caminhando lado a lado com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento”.
 

       

Beneficiário direto do Projeto, o produtor José Batistela, se mostrou muito feliz com as ações realizadas e com o reembolso de quase a totalidade dos valores investidos. “Um dos grandes problemas de nossa cidade tem sido a falta de água. Como produtor, já estava sentindo esse problema no sítio, onde tenho cana-de-açúcar e trabalho com gado de corte. Eu sabia que precisava fazer ações de conservação nas áreas das nascentes, mas sozinho não tinha recursos e nem competência técnica para isso, pois exige um projeto complexo. Quando os técnicos da CATI me falaram sobre o Projeto, fiquei com receio de não receber o reembolso, mas confiei e tive todo o apoio deles, da prefeitura e de parceiros, para fazer as ações. Hoje, estou muito feliz por poder contribuir para melhorar a ‘produção de água’ e incentivar outros produtores a aderir ao Projeto”.

E como disse o produtor, um dos fatores que estão influenciando positivamente o desenvolvimento do Projeto em Itapira e estimulando a adesão dos produtores é a parceria firmada entre os poderes públicos estadual e o municipal, bem como entidades ambientalistas.

José Alair de Oliveira, secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Itapira, frisou que a parceria com a Secretaria está sendo fundamental para começar a mudar a situação do abastecimento de água no município. “Tivemos um problema tão sério de desabastecimento na cidade, durante um período de seca, que chegamos a ter que levar água para o campo, pois algumas granjas ficaram sem água. Como secretário e produtor rural, posso dizer que esse projeto e essa parceria em várias esferas, para apoiar o produtor rural, só trouxeram benefícios para que possamos resguardar as nascentes com tecnologia adequada, tendo como resultado obras e benfeitorias que impactarão positivamente no abastecimento de água de toda a população. Com o apoio dos técnicos da CATI, que têm realizado um excelente trabalho na mobilização dos produtores, na elaboração dos projetos e na implantação de pilotos como essa área da Fazenda Jardim, tenho certeza que cada vez mais os produtores farão adesão ao Projeto, pois entenderão que essa é uma grande oportunidade”. 

       


Para Mayra Flores Tavares, coordenadora de restauração florestal da Associação Ambientalista Copaíba, entidade parceira no Projeto de Itapira, salienta que as parcerias são a garantia de realizar um trabalho de forma ampla. A nossa Associação atua há 20 anos na restauração florestal região, por isso os extensionistas da CATI entraram em contato conosco para firmar uma parceria, visando oferecer suporte técnico e doar mudas. Sendo assim, aliamos a esse Projeto, que disponibiliza recursos subvencionados para conservação do solo, cercamento etc., as ações do nosso Projeto Verde Novo, o qual é patrocinado pela Petrobras Socioambiental, e doamos as mudas para o reflorestamento e alguns insumos, bem como unimos forças e fizemos articulações para apoiar o proprietário rural na restauração florestal de suas áreas, adequando-as ambientalmente e gerando os serviços ambientais, que são bons para a população em geral e para a conservação da sua produção agropecuária”.

Roberto Machado, diretor da CATI Regional Mogi Mirim, que atua no município de Itapira por meio da Casa da Agricultura, salientou que os parceiros estão empenhados em realizar o projeto de forma abrangente, promovendo um manejo que tenha impacto duradouro para toda a população. “Quando iniciamos as visitas aos produtores, as fizemos com a ideia de trabalhar a Bacia inteira. Começamos com um amplo diagnóstico, mobilização de parceiros e o envolvimento de produtores, visando implantar os primeiros projetos e obter as primeiras subvenções, para que, assim, as ações se solidificassem e o maior número de produtores fizesse a adesão. Com essa área concluída e o primeiro reembolso feito, vamos ampliar a divulgação, pois agora já temos as ferramentas para uma ação ambiciosa em toda a Bacia. Ressalto que cada intervenção será diferente, pois cada propriedade tem problemas e peculiaridades diferentes. E a ferramenta da subvenção pelo Feap, da forma que foi proposta, nos dá liberdade para agir, com recomendações técnicas adequadas”.

       

 

Linha do tempo do Projeto em Itapira

Envolvido em todas as etapas do Projeto no município, o engenheiro agrônomo Antonio Marcos Alves de Oliveira, da CATI Regional Mogi Mirim, apresentou uma linha do tempo sobre o desenvolvimento do Projeto e apresentou durante o encontro com a coordenadora da CATI. Segundo ele, em outubro de 2017, o Feap informou que o município de Itapira havia sido selecionado para participar do Projeto (ao lado dos municípios de São Sebastião da Grama, Pedreira e Cunha). “Entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018, foram realizadas reuniões com agricultores de divulgação e incentivo à adesão dos produtores. Ainda nesse período foram realizadas reuniões com diferentes áreas da Prefeitura Municipal de Itapira, incluindo as Secretarias de Agricultura e Meio Ambiente, e de Educação, além do Serviço Municipal de Água e Esgoto, bem como com a Associação Copaíba, para estabelecermos parcerias para o desenvolvimento do Projeto”.

A partir deste momento, os técnicos iniciaram as visitas às propriedades localizadas na área de abrangência, que corresponde à Bacia do Ribeirão da Penha, que abrange uma área de 13.500 hectares, compostas por aproximadamente 180 propriedades. “Atualmente, o município de Itapira tem 10 agricultores participantes, com oito projetos em diferentes estágios de implantação ou elaboração, bem como dois projetos em início de elaboração”, explica o agrônomo, ressaltando que a parceria com a Associação Copaíba possibilitou a doação de recursos da subvenção do Feap serão direcionados para o cercamento de APPs, o plantio das mudas, a construção de terraços e a implantação das fossas sépticas. “Dessa forma, não tendo que pagar pela compra das mudas, o produtor tem condições de recompor uma área maior dentro de sua propriedade”.

Outro apoio fundamental para o desenvolvimento do Projeto, de acordo com ele, foi o apoio do Centro de Informações Agropecuárias (Ciagro), da CATI. “Eles elaboram um mapa-base da Bacia Hidrográfica e realizaram um treinamento de dois técnicos da Regional para o uso do software QGis, que está sendo utilizado na elaboração dos mapas de cada propriedade participante”, salienta, informando que outro auxílio muito importante foi o da Assessoria de Manejo Conservacionista da CATI, “pois  nos ajudou a esclarecer dúvidas relacionadas à execução do projeto, às técnicas para restauração florestal e às relativas à legislação ambiental aplicada ao Projeto”.

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