Fazenda Ataliba Leonel, da CATI, recebe certificação para a produção de sementes orgânicas

Pioneira na produção de sementes de milho orgânico no Brasil, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/Secretaria de Agricultura e Abastecimento), por meio de seu Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), recebeu a chancela do Instituto de Biodinâmica (IBD), organismo de alcance nacional e internacional, que certificou uma área de 20 hectares para a produção orgânica na Fazenda Ataliba Leonel, principal unidade produtora de sementes da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“Inovação, tecnologia, compromisso com a qualidade, respeito aos produtores e consumidores, e promoção de uma agricultura em harmonia com o meio ambiente são os conceitos que norteiam o trabalho de nosso Departamento. E certificar a produção orgânica atesta esse nosso compromisso, pois ratifica para o produtor rural e para a sociedade em geral, não apenas a qualidade, como garante que todos os procedimentos determinados pela legislação (Lei n.º 10.831, que regula a produção orgânica) estão sendo cumpridos”, explica Ricardo Lorenzini, diretor do DSMM, ressaltando que a certificação também representa mais um passo na estratégia de fortalecimento da produção e disponibilização de sementes variedades, em quantidade e com garantia de qualidade.

Comentando a certificação, o coordenador da CATI, João Brunelli Júnior, destaca que o DSMM tem uma função importante para o trabalho de extensão rural. “A Fazenda Ataliba Leonel é uma unidade de referência onde foi feito um trabalho fantástico de desenvolvimento e melhoramento de variedades, por meio do qual a CATI pode disponibilizar um produto diferenciado aos agricultores familiares. Com essa certificação, mostra, ainda mais, que está alinhado com os anseios da sociedade, por uma produção sustentável e alimentos saudáveis”.

Inicialmente, o DSMM está trabalhando com produção certificada de sementes e grãos de milho orgânico, seguindo as regras nacionais para produção e comercialização. No entanto, segundo Hiromitsu Gervásio Ishikawa, coordenador do Grupo de Trabalho de Sementes Orgânicas, formado em 2016 para elaborar protocolos para esse segmento no Departamento, a certificação é a primeira ação de uma série de outros projetos que devem ser implementados. “Os 20 hectares credenciados na certificação estão divididos em uma área para agrofloresta, margeando a represa; uma área para produção de hortaliças e frutas; uma área para produção de cereais; e uma área destinada a forrageiras. Fizemos a certificação dessa forma, para que futuramente possamos diversificar a produção de sementes de orgânicas, para além do milho”.

 

Gervásio informa ainda que, para a safra 2017/2017, além do plantio da variedade de milho AL Avaré (que nesta safra foi cultivada em sistema de cooperação com uma propriedade orgânica certificada), também será plantada na Fazenda Ataliba Leonel a variedade CATI Verde, haja vista que esse material é direcionado à alimentação humana, o que consolida o compromisso da CATI com a segurança alimentar. “Nossa atuação para estabelecer uma produção cada vez mais sustentável e segura do ponto de vista alimentar já vem desde 2014, quando demos início à utilização da terra diatomácea (pó à base de sílica de rocha marítima) em nosso tratamento de sementes, no lugar do uso de produtos químicos. A terra diatomácea é um produto aceito por todas as certificadoras que auditam e fiscalizam propriedades rurais e empresas de produção orgânica. Atualmente, é o único produto permitido que controla com eficácia os insetos-pragas de grãos e sementes armazenadas, possibilitando ao produtor orgânico armazenar seu produto por mais tempo. Agora, a certificação obtida junto ao IBD consolida esse trabalho”.

Além dessa área, também foi certificada uma Unidade de Beneficiamento de Sementes, para que o processamento também esteja adequado às normas vigentes para o segmento de produção orgânica. “O armazenamento das sementes certificadas também será feito em local próprio”, explica Gervásio.
Segundo Ricardo Lorenzini, além da certificação, o IBD fará inspeções periódicas das ações realizadas na unidade de Ataliba Leonel. “Isso corrobora para que todas as etapas estejam em conformidade com as normas. A partir de agora, as sementes e resíduos orgânicos (grãos e quirera) serão comercializados com a chancela da CATI e o selo do IBD”.

Sementes orgânicas da CATI: garantia de qualidade e preço acessível

O DSMM tem disponíveis 15 toneladas de sementes de milho orgânico certificadas para a comercialização imediata, bem como outras 15 toneladas de resíduos orgânicos direcionados, principalmente, à alimentação animal.

Uma boa notícia para os produtores rurais é que o preço desse material não tem nenhum acréscimo sobre o valor estabelecido para as outras sementes produzidas de forma convencional pela CATI, ou seja, o saco de cinco quilos custa R$ 26,00 e o de 20kg custa R$ 90,00. “Entendemos que o produtor precisa ter acesso a essas sementes certificadas, sem impacto no seu custo de produção, por isso estamos trabalhando com os mesmos valores, cumprindo nosso papel de fortalecer a agricultura familiar, ampliando suas alternativas de geração de renda e emprego”, afirma Ricardo.

Ricardo reforça ainda que, para melhor atender o produtor que fará aquisição das sementes e/ou grãos de milho orgânico, o DSMM investirá cada vez mais em tecnologia, classificação e tratamento das variedades de milho, visando ao aumento da produção. “Estamos fazendo investimentos conscientes para atender à demanda do mercado, que está crescente”.
Os produtores rurais podem adquirir as sementes e os resíduos orgânicos nos Núcleos de Produção de Sementes ou encomendar na Casa da Agricultura de seu município.

Mais informações: (19) 3743-3825 / email: cpmex@cati.sp.gov.br

Sobre a Fazenda Ataliba Leonel

A Fazenda Ataliba Leonel, principal unidade produtora de sementes do DSMM/CATI, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, vem passando por um processo de revitalização desde o final do ano de 2016, período no qual já foram investidos mais de R$ 3 milhões no manejo e na recuperação do solo, com a rotação de culturas, bem como na aquisição de insumos e equipamentos modernos (trator, pulverizador autopropelido, máquina semeadora e adubadora e carreta-tanque).

A Fazenda do Estado, como é conhecida, está localizada em Manduri, foi inaugurada em 1958 e depois de vários anos desenvolvendo pesquisas e produzindo sementes de milho, passou, a partir da década de 1980, a produzir também feijão, soja, arroz, triticale, sorgo e aveia. A unidade tem uma área de 3.700 hectares, sendo 1.693 agricultáveis.

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859

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