Institutos de pesquisa da Secretaria apresentam novidades no AgriFutura

O estímulo à inovação da pesquisa agropecuária ganhou espaço na primeira edição do AgriFutura, com a presença dos seis institutos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, e de empresas privadas ligadas ao setor. Reconhecida como a maior instituição de pesquisa estadual do Brasil, a Apta registrou, em 2016, 950 projetos para os setores público e privado. Os números não deixam dúvidas da força da instituição para a potência do agronegócio paulista e uma mostra dessa força pôde ser apreciada nos estandes dos institutos de pesquisa.

Entre diversas inovações, expostas pelos Institutos Agronômico (IAC), Biológico (IB), de Economia Agrícola (IEA), de Tecnologia de Alimentos (Ital), de Zootecnia (IZ), de Pesca (IP) e também pelas Regionais Apta, a reportagem da CATI separou três pesquisas que ganharam a atenção do público.

Além de softwares, máquinas e equipamentos modernos utilizados no aprimoramento da produção, a pesquisa é essencial para produzir com inovação e sustentabilidade. No AgriFutura, o IP apresentou três novidades em pesquisa e inovação, sendo que uma delas foi a macroalga Kappaphycus alvarezii. Embora o nome assuste, a pesquisadora científica do IP, Thaís Moron Machado, explica sobre a novidade. “A macroalga marinha da espécie Kappaphycus alvarezii é originária das Filipinas e foi introduzida no Brasil em caráter experimental pelo IP em 1995. Desde então, diversos estudos foram conduzidos com essa macroalga, que apresenta uma ampla e diversificada gama de aplicações em vários segmentos da indústria”, afirmou. De acordo com a pesquisadora, a macroalga dá origem à carragena (uma espécie de gelatina), responsável em atuar como espessante. “Ela é muito utilizada na indústria de alimentos, na indústria farmacêutica; como produção de produtos que impedem ou combatem a formação e o desenvolvimento de tumores; e também pode ser utilizada para produzir biocombustível e biofertilizante”, explicou.

Atualmente, todas as indústrias que necessitam de carragena no Brasil precisam importar a matéria-prima. “Acreditamos no sucesso dessa inovação porque produtores do Brasil poderão trabalhar com esse produto e abastecer o mercado interno, além de poder exportar”, opinou a pesquisadora, ressaltando que o material será acessível ao produtor e que, inclusive, se trata do primeiro produto do IP que já está com a patente depositada. “Esperamos que até o início de 2018 essa tecnologia esteja disponível”, sinalizou.


A revolução em carrapaticida natural

No estande do IZ, os visitantes do AgriFutura conheceram um produto eficaz no controle do carrapato-do-boi, sem efeito tóxico constatado em exames bioquímicos, o que torna segura a utilização do produto em bovinos. O carrapaticida está em processo de patenteamento para substituir os produtos químicos convencionais, que provocam o desenvolvimento de carrapatos ainda mais resistentes.

Leandro Rodrigues, aluno de mestrado que trabalha no IZ e participou ativamente da pesquisa do carrapaticida natural, explica que o carrapato é extremamente prejudicial, principalmente aos bovinos leiteiros. “A maioria dos rebanhos leiteiros é composta por vacas da raça holandesa, que é justamente a raça mais susceptível ao carrapato. O aracnídeo pode causar ao animal a perda de peso, debilidade da saúde, transmissão de doenças como a tristeza parasitária, entre outras”, explicou. Leandro afirma que o carrapaticida natural foi desenvolvido por meio de óleos essenciais extraídos de ervas utilizadas na alimentação humana, atuando como inseticida natural. “Ao lado da pesquisadora Luciana Katiki, especialista em óleos medicinais, e da Dr.ª Cecília José Veríssimo, uma das maiores pesquisadoras de carrapatos do País, decidimos testar uma bateria de óleos essenciais e fomos ensaiar isso sobre o carrapato. Ao longo da pesquisa, descobrimos que algumas moléculas, quando unidas, teriam um efeito mais potente do que isoladas. A partir disso, fomos promovendo outros testes e chegamos ao produto final”, explicou.


Leandro revela que o óleo essencial não deixa resíduos no leite. “Um estudo de 2013 constatou que o efeito de resíduos de uma formulação contendo óleos essenciais, que foi aspergido sobre vacas em lactação, verificou que não houve alteração na qualidade do leite. Já o mesmo não ocorre com os produtos químicos”, exemplificou. Entre os pesticidas empregados na agricultura, os carrapaticidas são os que têm maior probabilidade de gerar resíduos no leite. Os carrapaticidas de uso sistêmico comercializados no Brasil são proibidos para o tratamento de vacas em lactação. “O carrapaticida natural tem a ação por contato, ou seja, o produto entra em contato com o carrapato e ele morre ainda no animal”, disse. “Por ser um produto natural e feito a partir de óleos essenciais, que são facilmente encontrados no Brasil, o carrapaticida competirá com o mesmo preço que os convencionais que são vendidos atualmente”, garantiu Leandro, ressaltando que o diferencial do produto é que não há a necessidade de banhar o animal e que uma pequena quantidade, somente nas regiões mais infestadas do animal, já é o suficiente.


Adeus superbactérias

O desenvolvimento de uma vacina que imuniza a galinha e faz com que o animal, ao excretar anticorpos na gema do ovo, que é usada como aditivo alimentar e possui propriedades funcionais, não promova a produção de bactérias resistentes, foi o destaque da Apta Regional Ribeirão Preto. O pesquisador Geraldo Balieiro Neto, inventor da tecnologia, explicou sobre a pesquisa. “Temos um problema global, que é o surgimento de bactérias resistentes ao uso de antibióticos e isso chega a matar 700 mil pessoas por ano. Para resolver o problema, resolvemos isolar os micro-organismos indesejáveis, desenvolvemos uma vacina e imunizamos galinha. Dessa forma, a galinha excreta anticorpos na gema do ovo e essa gema, que é trabalhada e utilizada como aditivo alimentar com propriedades funcionais, tem a mesma função dos antibióticos, mas não promove o desenvolvimento de bactérias resistentes”, explicou.

De acordo com o pesquisador, a patente está em curso. “O trabalho foi publicado e está em fase de elaboração de edital para que seja possível fazer a licitação. Dessa forma, será promovida a parceria público-privada para tornar isso acessível aos produtores”, frisou. O pesquisador comentou ainda que é preciso coibir a utilização de antibióticos e que médicos veterinários precisam ter cautela na prescrição desses medicamentos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deverá proibir o uso de antibióticos no próximo ano, justamente por conta da resistência bacteriana que causa doenças no ser humano”, concluiu.

De acordo com Orlando Melo de Castro, coordenador da Apta, o AgriFutura permitiu que pessoas de todos os níveis tivessem contato com as novidades desenvolvidas pelos institutos de pesquisa. “É importante inserir a população nesse meio, para que ela tenha a consciência da importância do trabalho de pesquisa no setor agropecuário”, concluiu. A integração entre os seis institutos de pesquisa da Apta com a extensão rural, que é promovida pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), permite que tecnologias inovadoras, como as apresentadas no AgriFutura, sejam levadas ao conhecimento dos agricultores e pecuaristas do Estado de São Paulo.

 

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