São Paulo tem cacau! Projeto da SAA incentiva a expansão da cultura no Estado

Após o sucesso do lançamento na Agrishow 2022, extensionistas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) – órgão responsável pelas ações de assistência técnica e extensão rural (Ater) na Secretaria de Agricultura e Abastecimento – percorrem diversas regiões para atender à demanda de conhecimento técnico sobre o Projeto Cacau SP e trabalham na elaboração de materiais didáticos sobre o tema.

 

A Agrishow, maior Feira do agronegócio do mundo, foi uma grande vitrine. Instalado no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), o plot do Projeto Cacau SP foi um sucesso. Produtores rurais, público em geral e veículos de comunicação de alcance nacional, se renderam aos frutos amarelo-avermelhados expostos diretamente em pés de cacau, plantados em uma área que reproduziu o sistema de plantio em consórcio com seringueira e banana, modelo desenvolvido pela SAA, por meio da CATI, e parceiros para a região do noroeste paulista.

“Após os inúmeros atendimentos que fizemos na Agrishow, recebemos contatos de interessados de várias regiões e até de outros estados, interessados na metodologia do Projeto, que permite a expansão da cacauicultura para áreas não tradicionais de cultivos, com a adoção de tecnologia e integração com culturas como a seringueira e a banana”, explica Andrey Vetorelli, engenheiro agrônomo, que ao lado dos também agrônomos Fernando Miqueletti, Fioravante Stucchi Neto e Ricardo Pereira, integra o Grupo Técnico (GT) da CATI Regional São José do Rio Preto, que coordena o Projeto Cacau SP.

   

Esclarecendo o motivo de São Paulo investir no sistema de consórcio para expandir a cacauicultura, os membros do GT avaliam que ele é o mais indicado, pois permite o fortalecimento das atividades agrícolas de forma sustentável. “Em São Paulo, como principal linha de trabalho, foi escolhido o modelo de cultivo integrado de cacau e seringueira – o qual inclui a bananeira para sombreamento das mudas de cacau na fase inicial do sistema e mais uma alternativa de renda. Após anos de acompanhamento em Unidades de Adaptação de Tecnologia, identificamos que o consórcio otimiza o uso de recursos (solo, água, mão de obra, máquinas e equipamentos); diminui o risco econômico, por causa do cultivo simultâneo na mesma área de duas ou mais culturas; bem como permite um melhor fluxo de caixa e aumento da rentabilidade da área implantada”, comenta Vetorelli, acrescentando que o incentivo à produção integrada é uma diretriz da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, visando à transformação de vida, principalmente dos pequenos produtores rurais, com geração de renda e emprego, em toda a cadeia produtiva.

“E o consórcio do cacau com a seringueira e banana, é um grande exemplo dessa diretriz da SAA, pois permite um fluxo contínuo de receitas na mesma área: a banana começa a produzir após o primeiro ano, o cacau a partir do terceiro e a seringueira no sétimo ano. Enquanto uma se desenvolve, a outra vai gerando recursos”, esclarece Vetorelli.

Sobre o plano de expansão da cacauicultura em São Paulo, Ricardo Pereira, que além de membro do GT, é diretor da CATI Regional São José do Rio Preto, explica a estratégia adotada. “Nosso plano de trabalho, para expansão da cacauicultura em São Paulo, compreende a realização de palestras e treinamentos técnicos de sensibilização de técnicos e produtores rurais voltadas à nossa rede extensionista e aos produtores rurais, bem como a elaboração de materiais e publicações técnicas sobre temas diversos, como plantio, manejo, condução do sistema e mudas”.

 

Produção de cacau em São Paulo chama atenção da indústria de chocolate

De acordo com Ricardo Pereira, a repercussão da divulgação do Projeto Cacau SP, chamou atenção de representantes da indústria de chocolate, interessada no potencial da expansão da cacauicultura em São Paulo.

“Ao lado do secretário de Agricultura e Abastecimento, Francisco Matturro, e do subsecretário de Agricultura, Orlando Melo de Castro, participamos de uma reunião com representantes da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) e Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), a qual temos certeza que trará bons frutos, como a capacitação de técnicos e produtores com foco na comercialização, ação concreta que está sendo idealizada em parceria, para o segundo semestre deste ano”, informa Ricardo, informando que as entidades se colocaram à disposição para cooperar com o plano de expansão do cacau em São Paulo.

 

Treinamentos técnicos: conhecimento para os extensionistas e mudança de vida para os produtores rurais

Desde o mês de maio, os integrantes do GT têm realizado diversos treinamentos para que um número maior de extensionistas da CATI estejam aptos a multiplicar o conhecimento para produtores interessados das mais diversas regiões paulistas.

“Nossa diretriz de trabalho é difundir conhecimento e tecnologia, para que os produtores tenham mais uma alternativa de renda, que agregue valor à produção e resulte em melhoria da qualidade de vida, com geração de renda e emprego”, salienta Pereira.

No dia 29 de junho, a equipe da CATI Regional São José do Rio Preto recebeu técnicos da CATI Regional Registro, da CATI Sementes e Mudas e pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) Regional – Polo Registro, que participaram de um treinamento prático e visitas a áreas de produtores da região que já teêm cultivo comercial. “Na ocasião, levamos o grupo para visitar as áreas do produtor Luiz Milani, de José Bonifácio, e do produtor Norival Puglieri, a Fazenda São Luiz, em Tabapuã, que possui a área de cacau mais antiga da região; bem como a Unidade de Adaptação e Tecnologia (UAT) que instalamos no município de Adolfo”, explica Vetorelli, informando que, apesar de a região representada estar no Vale do Ribeira, que tem condições diferentes da do noroeste paulista, a troca de experiências foi muito proveitosa, principalmente em questões de cultivares de cacau.   

Após uma palestra de sensibilização realizada pelo engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto, em Itápolis - município vinculado à área de atuação da CATI Regional Jaboticabal -, voltada a produtores, técnicos e interessados, um grupo de 10 produtores, que, acompanhados pelo engenheiro agrônomo Silvio Carlos Pereira dos Santos, da Casa da Agricultura local, participou de treinamento prático sobre a condução do sistema e as particularidades da cultura, com visitas técnicas a propriedades com cultivo de cacau.

 

Visitas técnicas

Vale do Ribeira – CATI Regional Registro

Para conhecer outras realidades possíveis para a expansão do cacau em São Paulo, para além da região noroeste paulista, ponto focal inicial do Projeto, os integrantes do Grupo Técnico de Cacau da CATI Regional São José do Rio Preto visitaram a Apta Regional deRegistro, onde acompanhados pelo diretor e por pesquisadores da unidade, onde conheceram a coleção de materiais genéticos da unidade de pesquisa vinculada à SAA.

“Nesta visita verificamos que existem vários materiais com potencial produtivo para o estado, os quais podem ser adaptados às diversas condições regionais. A partir dessa constatação, os pesquisadores disponibilizarão os materiais para que possamos implementar campos de observação em diferentes regiões paulistas, com mudas produzidas pela CATI Sementes e Mudas, a partir das matrizes disponibilizadas pela Apta”, explica Fernando Miqueletti.

 

 

 

Ainda no Vale do Ribeira, acompanhados pelas engenheiras agrônomas Erica Oliveira dos Santos, da CATI Regional Registro, e Elizete Taira Matsukawa, da Casa da Agricultura de Itariri, os extensionistas visitaram o sítio do produtor Sinval Oliveira Silva.   

Na propriedade, que tem 15 mil pés de cacau e está localizada em uma região de Mata Atlântica, na área rural de Itariri, o grupo verificou que as áreas instaladas são muito promissoras e rentáveis, com a adoção de manejo correto. “Com investimento em genética e podas feitas de maneira e em períodos adequados, a produção tem tudo para crescer. A expansão da cultura no Vale do Ribeira, do ponto de vista comercial, tem entre suas vantagens o baixo custo de implantação, por não precisar de irrigação, o que equilibra o custo de manutenção, que é mais elevado nas condições de relevo montanhoso. Além disso, permite o plantio em sistemas agroflorestais”, avalia Andrey Vetorelli, comentando que, a partir dessa visita, serão realizadas palestras de sensibilização e capacitações aos extensionistas da CATI Regional Registro, que realizarão um diagnóstico da cultura na região, incluindo informações sobre o número de pés cultivados, propriedades, área etc. e, posteriormente, a multiplicação de conhecimento aos produtores e interessados.  

 

Mogi Mirim

Em Mogi Mirim, os agrônomos Andrey, Fernando e Ricardo se entusiasmaram ao conhecer uma área onde se planta cacau, em condições totalmente diferentes das do noroeste paulista, onde o Projeto Cacau SP teve início. “Visitamos uma área de cacau com 10 anos, em Mogi Mirim, para verificar o comportamento da cultura em uma região com temperaturas mais baixas. Apesar do manejo inadequado e a não procedência genética, podemos observar que a cultura está produzindo mesmo nas condições adversas.

 

 

 

Vetorelli informa que, em tratativas com o engenheiro agrônomo José Luiz Bonatti, da CATI Regional Mogi Mirim, responsável pela implantação da área visitada, serão feitos estudos para a instalação de uma UAT em uma área de uma propriedade no município. “Iremos fornecer as mudas e capacitação para os extensionistas da CATI local, que farão o acompanhamento técnico junto com o produtor”.