Seminário de fruticultura do centro-oeste paulista debate a sustentabilidade da produção na região

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Divulgar informações técnicas, científicas e práticas sobre fruteiras com potencial agrícola e econômico para a região Centro Oeste, investindo no tema sustentabilidade para abordar maneiras diferenciadas de se conduzir as culturas. Esse foi o principal objetivo do II Seminário de fruticultura do centro-oeste paulista, realizado na Faculdade de Ensino Superior do Interior Paulista (Faip) de Marília, em uma organização conjunta que mobilizou entidades públicas e privadas, encabeçada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Sindicato Rural de Marília, com apoio, entre outros, da CATI e da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. “Nosso objetivo é fomentar a fruticultura entre novos produtores, já que Marília deixou de ser a terra do café com leite, observamos que os pequenos e médios produtores conseguem obter uma boa renda com a atividade. Acreditamos que essa união, a qual conseguimos entre as entidades da agricultura da região, para a realização desse seminário, em um momento de crise, favorece o produtor por beneficiá-lo com mais conhecimento. O produtor já provou que sabe produzir com qualidade, mas precisa aprimorar e buscar novos canais de comercialização, como os programas governamentais de aquisição de alimentos, principalmente o da merenda escolar”, enfatiza Luiz Arnaldo Cunha de Azevedo, coordenador do Senar na região.

Acompanhado por autoridades locais, regionais e representantes de entidades nacionais da área agrícola, o Seminário recebeu mais de 300 pessoas entre produtores, técnicos e estudantes interessados na programação, a qual teve como eixo central a sustentabilidade da produção à comercialização. Presente à solenidade de abertura, Fábio Meirelles, presidente do Senar, destacou a importância de se incentivar a fruticultura e a capacitação dos produtores. “A fruticultura tem um amplo mercado, interno e externo, para comercialização, por isso é importante que a produção seja conduzida com qualidade, sendo fundamental para isso a capacitação dos produtores. Nos últimos 21 anos, capacitamos 3,7 milhões de pessoas pelo Senar e investir em eventos como esse Seminário é fundamental para levar ainda mais conhecimento. É preciso que todos entendam que fortalecer a agropecuária é interesse de toda a sociedade e não apenas dos produtores”.

Representando o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, o assessor da Secretaria, Sérgio Murilo, enalteceu a realização do evento e falou sobre o trabalho da Secretaria nas áreas de pesquisa e extensão rural para o desenvolvimento da fruticultura. “Esse evento foi importante, pois trouxe informações sobre mercados, novas tecnologias, integração do setor produtivo. Há muitos anos a Secretaria desenvolve pesquisas e um amplo trabalho de extensão para o avanço da fruticultura, que é uma cadeia produtiva muito expressiva no Estado. Neste Seminário todos ganharam em conhecimento e na integração ocasionada pela união de governo, lideranças rurais, produtores e técnicos, todos empenhados na ampliação da fruticultura como alternativa econômica para a região”.

Atuante na organização do evento, o diretor da CATI Regional Marília, Cláudio Hagime Funai, falou sobre o trabalho da CATI na região. “Esse evento foi uma realização conjunta de entidades, com as quais a CATI atua há muito tempo. Em nossa área de atuação, que abrange 13 municípios, estamos focados em trazer novas tecnologias e informações, para que a produção agrícola, incluindo a fruticultura, seja feita com qualidade, menor custo e sustentabilidade, de modo que os alimentos sejam saudáveis e os produtores possam permanecer na atividade e viver bem no campo”.

                        


Homenageada pela Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo (Agroesp), pelos mais de 30 anos de dedicação ao trabalho junto aos produtores rurais, como engenheira agrônoma da CATI Regional Marília, Maria de Fátima Caetano Prado, que se aposentou recentemente mas continua apoiando a organização de eventos como o seminário e os cursos que promovem a agregação de valor às produções locais, salientou a importância de se alavancar cada vez mais a fruticultura na região. “Fiquei muito emocionada com a homenagem. Foram tantos anos de trabalho junto aos produtores, atuando na CATI, que mesmo com a aposentadoria eu continuo envolvida com eventos que possam auxiliar os produtores a terem cada vez mais conhecimento para produzir e se manter na atividade de forma digna. Essa segunda edição do Seminário é uma continuidade das atividades que a Secretaria sempre realizou para melhorar a qualidade de vida com alternativas agropecuárias viáveis economicamente. O tema central foi definido para atender às demandas dos produtores, pois a fruticultura é atividade que gera renda, principalmente para os agricultores familiares, que são mais de 70% na região. A grande preocupação do produtor está na diminuição do uso de agroquímicos; pensando nisso, dentro dessa visão e buscando novos mercado pela sustentabilidade, trouxemos informações que mostram que existem caminhos viáveis para o desenvolvimento da atividade com redução de custo, manutenção de produtividade e produtos de melhor qualidade, do ponto de vista da segurança alimentar. Além disso, mostramos que a fruticultura atende todas as políticas públicas e favorece a agregação de valor, por meio das agroindústrias”, ressaltou Fátima, enumerando as principais frutas da região: ”temos uma produção regional de maracujá, atemoia, citros de mesa, manga e melancia, que apesar de ser uma olerícola, muitos consumidores veem como fruta; mas outras alternativas têm sido testadas, como o maracujá de porte alto e variedades de banana”.

A programação contou com palestras ministradas por pesquisadores e técnicos das áreas pública e privada, tendo como enfoque as Boas Práticas Agrícolas para um cultivo sustentável. Os temas abordados no evento foram mercado e tendências das frutas de mesa; projetos e políticas públicas de acesso ao mercado; transporte e embalagens na fruticultura; biotecnologia – agricultura resíduo zero; manejo sustentável; e manejo integrado de pragas e doenças.

Paralelamente às palestras, foi montada uma exposição de máquinas e serviços direcionados ao segmento da fruticultura. No estande da CATI, os produtores puderam contar com apoio técnico para esclarecer dúvidas, adquirir publicações editadas pelo Centro de Comunicação Rural e mudas e sementes produzidas pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM).

No estande da Apta, os pesquisadores apresentaram estudos que estão sendo realizados. Adriana Novais, pesquisadora da Unidade de Pesquisa Demonstrativa da Apta - Polo Regional Centro-Oeste, mostrou as variedades de banana e goiaba que têm sido testadas no município de Vera Cruz.

Tetsuo Muta, proprietário do Sítio Muta, em Marília, foi um dos produtores que foi em busca de mais conhecimento para alavancar a produção de frutas. “Eu já trabalhei muito com citros, mas agora tenho apenas manga. Para trabalhar com frutas é preciso muito conhecimento, por isso participar de eventos e atuar com o apoio dos técnicos é fundamental”

Participaram da organização do Seminário o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Sindicato Rural de Marília; a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da CATI, da Apta; a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp); a Faculdade de Ensino Superior do Interior Paulista (Faip/Faef); a Cooperativa Sul Brasil; a Prefeitura Municipal de Marília; e a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

 

Palestrantes trouxeram informações relevantes para os participantes

Em sua palestra sobre mercado e tendências de frutas de mesa, a engenheira agrônoma Anita Gutierrez, engenheira agrônoma e chefe do Centro de Qualidade em Horticultura da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), apresentou dicas para que os produtores possam incrementar a comercialização de frutas. “O produtor precisa saber produzir, estudar muito e adotar medidas preventivas, pois a fruticultura exige muita tecnologia e conhecimento. Antes de colher, o produtor precisa definir os compradores, conversar com eles e, juntos, determinaram-se haverá diferenciação de preço por tamanho e qualidade. Na colheita e pós-colheita, é preciso evitar ao máximo o manuseio, pois o principal problema e causa de perdas é o dano mecânico; também é preciso colher o fruto no tempo adequado para que ele seja saboroso, pois é isso que importa para o consumidor, que deseja ter prazer ao consumir uma fruta; é preciso ter atenção à classificação, para que os produtos estejam igualados em tamanho, coloração etc; também é preciso estar atento aos mecanismos de comercialização, como a rastreabilidade, que já é uma exigência para muitos mercados. Na fruticultura, o primeiro passo é colocar rótulo, ‘imprimir a sua marca’, para que o seu produto possa se tornar conhecido. Ou seja, é preciso adotar Boas Práticas, fazer planejamento e gestão da atividade. Entender que para produzir uma fruta firme e saborosa, tem que fazer manejo de solo, poda, adubação, para poder colher a fruta madura, mas que não irá apodrecer imediatamente, e construir a sua marca, deixando claro: meu nome está aí e você pode confiar em mim”.

O engenheiro agrônomo Hélio Satoshi Watanabe, da Ceagesp, destacou a importância de embalagens e transportes prevenindo problemas para que as frutas cheguem ao mercado com suas características e aparência preservadas, obtendo um preço justo na comercialização.

Para que os fruticultores acessem os nichos de mercado abertos pelas políticas públicas e pelos programas governamentais de aquisição de alimentos, o diretor da CATI Regional Araçatuba, o engenheiro agrônomo Cláudio Antônio Baptistella, apresentou os caminhos para que os fruticultores participem de ações como o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), bem como o Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado. “É importante ressaltar que para acessar o mercado, que hoje vai além das prateleiras dos supermercados, é imprescindível produzir bem e com qualidade. Também é preciso que o produtor invista em gestão da propriedade e do negócio agrícola, bem como em capacitação contínua, para que a atividade seja rentável para atrair os jovens, pois as propriedades atuais têm herdeiros, mas a agropecuária muitas vezes está sem sucessores”.

As informações repassadas por Cláudio puderam ser atestadas pelo testemunho de Reginaldo José de Oliveira, produtor de banana do município de Palmital e integrante da Cooperativa Palmitalense dos Bananicultores, que foi um dos que participaram do Seminário em busca de alternativas para diversificar a produção em sua região. “Temos em nossa cooperativa o desejo de diversificar as explorações frutícolas, para termos um mix de produtos e, assim, atender novos mercados, como os das políticas públicas. Participamos do Projeto Microbacias II, executado pela CATI, e pudemos fazer a adequação e ampliação das instalações, aumentar nossa capacidade de câmaras frias, adquirir equipamentos e implementos, os quais nos possibilitam atender esse mercado, mas precisamos de mais variedades de frutas, para não ficar na dependência de apenas uma”.

                        


Adriana Novais, pesquisadora da Unidade de Pesquisa Demonstrativa da Apta - Polo Regional Centro-Oeste, falou sobre o manejo sustentável na fruticultura, enfatizando os cuidados necessários com o solo e água, para ter uma produção sustentável.

José Augusto Maiorano, diretor da CATI Regional Campinas e responsável pelo Programa de Fruticultura Integrada da instituição, falou sobre o manejo integrado de pragas e apresentou alternativas para os produtores reduzirem o uso de agrotóxicos.

José Guerra, responsável por uma empresa de biotecnologia, falou sobre a importância de se utilizar as tecnologias disponíveis para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável do ponto de vista ambiental. Em sua palestra, ele demonstrou o resultado de anos de pesquisa que resultaram no desenvolvimento de um sistema de síntese pioneiro no mundo, que permite trabalhar com enzimas conversoras e nanotecnologia, que resultou um produto natural, o qual pode ser utilizado em substituição à adubação química.

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