XI Semana de Agricultura Orgânica de Campinas tem programação eclética e atrai pessoas de várias regiões do Estado

Cerca de 180 pessoas participaram da XI Semana de Agricultura Orgânica, realizada de 15 a 20 de setembro, com o apoio da CATI, que é uma das instituições que fazem parte da comissão organizadora. Segundo José Augusto Maiorano, diretor da CATI Regional Campinas, o objetivo do evento foi proporcionar um fórum de discussões sobre os desafios do segmento nas esferas de produção, consumo, comercialização e saúde. "Organizamos a Semana pensando em ações que incluíssem diversos públicos, por isso tivemos diversas atividades em locais separados. O evento foi ideal para quem busca ampliar contatos sobre o assunto”, ressaltou.

A grande conquista dessa edição foi a criação de um Coletivo de Agricultura Orgânica que terá os objetivos de traçar diretrizes para a ampliação da produção e do acesso ao produto orgânico, além de aumentar os canais de debate sobre o tema, principalmente na área educacional.

A abertura do evento foi no Centro de Integração Social (CIS) Guanabara, espaço cultural ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com o slogan “A Cidade Orgânica: novos caminhos no campo e na mesa”, nesse dia foi lançado o documentário “O veneno está na mesa 2”. “O vídeo aborda o modelo agrícola de utilização de agrotóxicos e suas consequências para a saúde pública, apresentando ainda, experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, além de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. Após a exibição, foi realizado um debate com a participação de integrantes da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. Durante a Semana, os participantes puderam trocar experiências e degustar alimentos orgânicos.

A programação da Semana contou com mesas de discussão, oficinas e visitas técnicas sobre as temáticas de produção, consumo e políticas públicas voltadas à agricultura orgânica. No dia 16, um grupo de 55 pessoas, entre as quais técnicos da CATI e da Prefeitura de Campinas, chefes de cozinha, proprietários de lojas, nuricionistas e produtores rurais, fez visitas à Vila Yamaguishi (Jaguariúna); ao Coletivo Trocas Verdes – que favorece a compra direta de produtores, em Barão Geraldo (Campinas); e à Horta Comunitária do Jardim Itajaí (Campinas). “Foi uma experiência interessante, pois puderam interagir com comunidades que têm a produção orgânica como filosofia de vida e meio de geração de emprego e renda. Ações como essas, fazem chegar alimentos mais saudáveis a um número cada vez maior de pessoas”, comentou Francisco Rodrigo Martins, zootecnista da CATI Regional Campinas, integrante da comissão organizadora.

Nos dias 17, 18 e 19, profissionais dos setores agrícola, médico e de nutrição, fizeram das palestras ministradas no auditório da CATI, espaço de debates sobre temas importantes para a cadeia produtiva e a sociedade em geral. O diretor da CATI Regional Campinas falou sobre o trabalho da extensão rural e as políticas públicas que podem ampliar o acesso à produção orgânica. “Temos no corpo técnico da CATI, 80 extensionistas capacitados a atender os produtores orgânicos e aqueles que desejam fazer a transição para o sistema. A meta é capacitar mais 80, e para isso contamos com pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e técnicos da Secretaria do Meio Ambiente, no contexto da Ação Governamental São Paulo Orgânico, programa instituído pelo governo estadual para fortalecer o mercado orgânico, com investimentos na produção e em novos canais de comercialização. Na área de crédito rural, as Casas da Agricultura estão aptas para auxiliar os produtores no acesso ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), que tem uma linha específica para a transição agroecólogica.

 

Outro ponto importante é o acesso às políticas públicas de aquisição de alimentos, principalmente a participação no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do governo federal, e o Programa da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), por meio dos quais os produtos orgânicos são adquiridos com valor acrescido em 30%, em comparação com os convencionais. Rogério Pereira Dias, coordenador de Agroecologia da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), comentou a evolução da temática orgânica e falou sobre a importância da realização da Semana de Agricultura Orgânica: “a produção orgânica está se consolidando, provando que não era apenas um sonho de idealistas dos anos de 1980; é um tema que abrange áreas, que vão da agronomia à medicina”.

Uma grande conquista para o setor foi a implementação, em 2012, de uma Política Nacional e, em 2013, do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, que abrange da produção ao mercado e proporciona condições para melhorar a pesquisa, a extensão rural e assistência técnica, além de aperfeiçoar as linhas de crédito e ampliar a disponibilidade de insumos para o segmento. Segundo Rogério Dias, será possível enfrentar os desafios de universalizar o acesso ao produto orgânico, usufruindo das políticas públicas de aquisição de alimentos; desmistificar a questão do preço, desviando o foco de referencial dos supermercados e passando para outros canais de comercialização, como as feiras de produtores, onde os preços praticados não se diferem muito dos produtos convencionais; e promover um debate visando mudanças comportamentais.

A realização de uma feira de produtos orgânicos, na área central de Campinas, encerrou a Semana de Agricultura Orgânica.

Texto: Cleusa Pinheiro - jornalista - Centro de Comunicação Rural (Cecor/CATI)

Fotos: Francisco Rodrigues Martins - CATI