Produção Vegetal


O Óleo Essencial

 

A origem do termo “óleo essencial“ é antiga e seu uso permanece ao longo dos anos. Por mais que os avanços tecnológicos e as descobertas científicas mostrem a sua inadequação, nos setores produtivos, comerciais e científicos se continua empregando o termo “óleo essencial”, em todos os lugares do mundo.

 A origem do termo remonta à época em que a definição dos filósofos gregos sobre a origem da matéria era absoluta.

 Acreditava-se que todo e qualquer corpo natural fosse formado por diferentes porções de quatro únicos elementos essenciais da matéria: fogo, terra, água e ar.

 Antes do surgimento da Química moderna, quando se praticava a Alquimia, buscava-se intensamente uma explicação para os aspectos metafísicos, a origem da porção etéria ou alma. Muitos alquimistas buscavam descobrir e isolar esse quinto elemento da matéria (QUINTA ESSÊNCIA), capaz de lhe promover animação, ou o ânima, a alma.

As plantas aromáticas devem ter incentivado os alquimistas a buscar nelas a quinta essência da matéria, pois podiam perceber sua presença mesmo quando não estavam na sua frente. Ainda após a retirada da matéria, ou seja, da planta aromática ter sido retirada do recinto, sua presença era percebida pelo aroma que havia liberado.
 
Paracelsus, um alquimista do século XVI, usando vapor conseguiu isolar substâncias que continham o aroma da planta, sua alma, ou a quinta essência daquele ser. Daí o uso de essência e óleo essencial para se designar o conjunto de substâncias que o vapor extrai, mas, tal qual o óleo, não se mistura à água. Por isso até hoje, mesmo não havendo substâncias de natureza lipídica ou óleo, nem sendo essencial, o termo óleo essencial ou essência é aceito e usado largamente.


Os óleos essenciais são basicamente uma mistura de substâncias que as plantas acumulam, conforme o caso, em suas folhas, frutos, sementes, caules ou raízes. Por não serem substâncias diretamente ligadas aos metabolismos de crescimento e reprodução, como os amidos, proteínas, ácidos nuclêicos (DNA), são chamados de metabólitos secundários.

Apesar do nome secundário, essas substâncias não são de menor importância para o desenvolvimento vegetal. Muitas plantas evoluíram sistemas ou órgãos que as concentram devido a papeis importantes que exercem na defesa contra pragas e doenças, atração de polinizadores ou repelente de predadores.


Algumas dessas substâncias acumuladas podem inibir o desenvolvimento de microorganismos. Quando adicionadas em grandes quantidades nos alimentos, aumentam seu tempo de conservação. Por esse motivo, o uso das plantas ricas em óleos essenciais, antes do desenvolvimento das técnicas modernas de conservação de alimentos, como a pasteurização e a refrigeração, era de grande importância para a alimentação da população e das tropas militares durante os períodos de inverno ou ocupação.

No final do século XV, o domínio da produção e da comercialização dessas plantas, denominadas especiarias, tinham tal importância para a segurança dos Estados, que motivaram as grandes expedições à Ásia, que estão associadas ao próprio descobrimento do Brasil.

 Alguns óleos essenciais contêm moléculas que apresentam efeitos biológicos que podem ser usadas para outros fins que não alimentares (sabor ou conservação). O óleo essencial presente em grande quantidade no cravo-da-India, por exemplo, tem uma grande concentração de eugenol, que proporciona um efeito anestésico importante. Por este motivo foi muito usado como pré-anestésico nos consultórios dentários até a muito pouco tempo. Outros efeitos vermicidas, germicidas ou medicinais podem ser encontrados nos óleos essenciais de diversas plantas aromáticas, que por isso são classificadas também como medicinais.

A concentração de metabólitos secundários, ou substâncias aromáticas nos diferentes órgãos vegetais são função de características genéticas, sistemas de cultivo, épocas de colheita ou plantio, clima, etc. Por isso o teor de óleo nas plantas como as suas composições são muito variáveis e esses fatores devem ser considerados no uso criterioso de plantas aromáticas e medicinais.

Com a evolução da indústria química, principalmente na segunda metade do século XX, muitas das substâncias obtidas de plantas aromáticas e medicinais puderam ser sintetizadas com custos inferiores aos da exploração tradicional, acarretando uma diminuição de muitas lavouras importantes, como a da menta, por exemplo. Porém a demanda por produtos naturais tem crescido em diversos setores comerciais e industriais, pois além da qualidade inferior de muitos dos produtos sintéticos, devido à presença de substâncias indesejáveis formadas durante o processo industrial, parcelas economicamente significativas da população de diferentes países estão dispostas a pagar mais por esses produtos naturais.