Produção Vegetal


Palmito Gariroba (Syagrus oleracea)

1. INTRODUÇÃO

 A palmeira gariroba, também conhecida como guariroba, gereroba, gueiroba, guerova e palmito amargo ou amargoso, é uma planta nativa do Brasil, ocorrendo desde o Nordeste até os Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, sendo encontrada, principalmente, nos Estados de Goiás e Minas Gerais, onde o seu palmito é muito apreciado.

 

 

No Estado de São Paulo, é freqüente na região noroeste, particularmente nos municípios de Votuporanga  e Jales.

2. A PLANTA

A palmeira gariroba é uma planta perene, de estipe único. Quando adulta pode atingir de 10 a 20m de altura e apresentar diâmetro de estipe entre 18 e 35cm. Possui folhas grandes, em número de 15 a 20, com 2 a 3 metros de comprimento, sendo moderadamente arqueadas, de coloração verde-escura brilhante, dispostas em espiral, com 100 a 150 folíolos e com bainhas estreitas. Floresce e frutifica praticamente o ano todo, apesar de que a frutificação é mais abundante entre os meses de agosto e fevereiro, produzindo cachos com 20 a 40cm de comprimento e com 60 a 120 frutos em média,  de coloração verde-amarelada.

O palmito dessa espécie, pelo característico sabor amargo, é consumido tradicionalmente em algumas regiões.

A palmeira pode ser utilizada também como planta ornamental, particularmente na arborização urbana, devido a sua beleza e à facilidade de pegamento após o transplante.
     
3. CLIMA

A gariroba está adaptada às condições de maior insolação e baixa precipitação pluviométrica, entre 800 e 1.200mm/ano, podendo ter déficit hídrico durante os meses de inverno, sendo, pois, própria de climas quentes.

4. SOLOS

A gariroba para o seu bom desenvolvimento, necessita de solos bem-drenados, não-compactados e de textura média.

 Recomenda-se, também, realizar o plantio em nível, mantendo-se o solo vegetado no período chuvoso, para o devido controle da erosão. O uso de cobertura vegetal, tal como o amendoim silvestre (Arachis pintoi), tem sido recomendado para eliminar roçadas e capinas, bem como para controlar a erosão nesse cultivo.

 5. PROPAGAÇÃO

A propagação da gariroba é realizada através de sementes, colhidas de frutos maduros, sendo estes mais abundantes durante os meses de agosto a fevereiro (especialmente nos meses de setembro e outubro).

Um quilo de frutos contém aproximadamente 70 sementes, que, quando livres da polpa dos frutos, germinam com certa facilidade entre 2 e 3 meses.

Ocorrem diferenças no desenvolvimento das plantas e no sabor do palmito de acordo com a procedência das sementes, devendo-se, pois, conhecer a origem delas e ainda selecioná-las para se obter a melhor homogeneidade possível.

6. PLANTIO

As sementes, provenientes de frutos recém-colhidos e devidamente despolpadas (se não forem usadas sementes novas e despolpadas, a germinação será  lenta, de 2 a 4 meses, e baixa), devem ser semeadas diretamente no campo, em sulcos de 10cm a 15cm de profundidade, após o adequado preparo do terreno, com arações e gradagens.

Utiliza-se, normalmente, seja para produção de palmito seja para fins ornamentais, o espaçamento de 2,0m x 0,5m ou 1,5m x 0,3metro.

 
7. ADUBAÇÃO E CALAGEM

A calagem deve ser realizada, de acordo com a análise de solo, para se elevar a saturação por  bases a 60%.

Na adubação de plantio, deve-se utilizar matéria orgânica no sulco de plantio, na base de 4 a 8 kg/m.  Recomenda-se, ainda, o uso de superfosfato simples no sulco (150 - 200g/m).

Para a recomendação da adubação de produção, deve-se basear na análise de solo e no histórico de produção. No entanto, de uma maneira geral, pode-se utilizar a fórmula 20:05:15, na dose de 150 a 200g/planta, aplicada de 4 a 5 vezes ao ano, durante a estação chuvosa.


8. TRATOS CULTURAIS

É importante o controle das plantas daninhas, principalmente de gramíneas, para evitar a competição com a cultura. Esse controle pode ser realizado com capinas e roçadas.

A irrigação também é uma prática recomendada para a cultura, visto que estimula o desenvolvimento da planta e leva a um aumento do peso do palmito, sendo mais importante nos períodos de déficit hídrico.

9. PRAGAS E DOENÇAS

A geminação das sementes pode ser prejudicada pela ação de fungos e bactérias próprias de matéria em decomposição, se a polpa dos frutos não for devidamente retirada.

No campo, as pragas mais importantes encontradas nessa cultura são gafanhotos, cigarrinhas e pulgões.

 
10. COLHEITA

 
A colheita da gariroba é seletiva e pode ser realizada durante o ano todo, a partir de um ano e meio do plantio, com o auxílio de um enxadão, cortando-se toda a planta desde a sua base.

 A maior parte do palmito da gariroba é do tipo caulinar (estipe macio), e a porção aproveitável pesa entre 1 e 3kg.

 A cultura permanece na mesma área, no máximo de 3 a 4 anos, apresentando uma produção média de 2.000 a 3.000 palmitos/ano, a partir do segundo ano.

 A comercialização é realizada com o produto “in natura”, em peças de 3 a 6 kg, e o produto deve ser utilizado até 5 a 7 dias após a colheita, por ser perecível.

 É importante ressaltar, ainda, que devido ao seu sabor amargo, esse palmito apresenta uma aceitação diferenciada, sendo muito apreciado, por exemplo, em Goiás, Minas Gerais e em algumas localidades do Estado de São Paulo, mas com aceitação restrita em outras regiões do país.

 O sabor amargo da gariroba provavelmente é resultante do maior teor de tanino (quase três vezes mais do que o palmito juçara) e de alguns aminoácidos, tais como fenilalanina, tirosina e prolina. Não obstante, o valor nutritivo geral do palmito da gariroba é semelhante ao produzido por outras espécies de palmeira, e, como tal, considerado baixo. Palmitos, em geral, possuem baixo teor protéico e calórico, sendo indicados para dietas especiais.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 BOVI, M. L. A. & BORTOLETTO, N.   Palmito - Gariroba (Syagrus oleracea) In:
     Instituto Agronômico de Campinas. Instruções Agrícolas para as principais culturas econômicas. 6ª ed., Campinas, IAC, 1998,   p. 258 - 259 (Boletim 200 ).
 
LORENZI, H., et al.  Palmeiras do Brasil - nativas e exóticas. Nova Odessa, SP,
    Editora  Plantarum. 1996.
 
SHIMOKOMAKI, M.,et al.  Estudo comparativo entre palmitos de sabor doce
    (juçara - Euterpe  edulis Mart. E açaí - Euterpe oleracea Mart. ) e de sabor amargo (guariroba - Syagrus oleracea Becc.) In: Composição química, péptides e aminoácidos livres. Coletânea do Instituto de Tecnologia de Alimentos,Campinas,  ITAL,  vol. 6: 69 - 80, 1975.