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UTILIZANDO O CONCEITO DE MATÉRIA SECA
NA FORMULAÇÃO DE RAÇÕES
Zootec.
Dr. Sérgio Savastano
Envio
de amostras pré-secadas de forragens para análise:
A
não ser mediante entendimento prévio com o laboratório,
não se deve enviar amostras verdes ou suculentas para análise
porque, enquanto o material contiver tecidos vivos, provavelmente a
respiração celular e outras reações biológicas
alterarão a composição da amostra desde quando
ela for colhida até o momento em que ela for de fato processada.
O transporte de amostras verdes sob refrigeração pode
ser aceito, desde que a embalagem assegure a preservação
da umidade original da amostra e que o período seja relativamente
curto, minimizando as perdas por respiração, fermentação
etc. Para
manter inalteradas amostras de forragens verdes, pode-se também
fazer sua desidratação (pré-secagem). Isso é
útil nas fazendas que não dispõem de refrigeração,
ou então que pretendem juntar várias amostras das forragens
ali produzidas durante um certo período,
para enviar ao laboratório todas elas, a serem analisadas simultaneamente,
em conjunto. Na
pré-secagem, é necessário anotar a perda de água
da amostra para que seja possível, após receber os resultados
do laboratório, extrapolá-los para a base “como
oferecido” (a condição original de umidade, em que
o alimento é naturalmente consumido pelos animais). A
desidratação é realizada submetendo a amostra a
uma fonte de calor, que pode ser o próprio sol, uma lâmpada
infra-vermelho, um forno de microondas, um formo caseiro ou, de preferência,
uma estufa a 65oC, com circulação de ar. Em 48 hs nessa
condição de desidratação “em baixa
temperatura”, a amostra alcança cerca de 80% de MS, que
é o suficiente para preservá-la sem alterações
pelo tempo necessário até a sua análise. O peso
da amostra antes e depois da desidratação deve ser controlado
com uma balança de precisão. Há no mercado um “determinador
de umidade” específico, que consiste de uma balança
já acoplada a lâmpadas infra-vermelho.
Quando se usa uma estufa, o procedimento é o seguinte:
1) picar grosseiramente a forragem recém-colhida, em pedaços
de 2 a 5 cm. Homogeneizar bem o material picado e pesar 1 kg, a ser
colocado em uma camada fina, numa bandeja, a qual é levada à
estufa. A quantidade exata (com precisão de gramas ou decigramas)
de material verde que vai à estufa é o “peso verde”. 2)
após 48 hs na estufa, retirar a bandeja, deixar esfriar e pesar
novamente. Esse é o “peso pré-seco”. A amostra
pré-secada (também chamada “amostra parcialmente
seca”) é aquela a ser enviada para o laboratório,
para as demais análises. 3) cálculo da MS parcial:
MS parcial % = 100 - (peso verde - peso pré-seco)x 100 peso verde
4)
A amostra pré-secada ainda contém uma certa quantidade
de água, a qual só será completamente extraída
no laboratório, quando o material for aquecido em uma estufa
a alta temperatura (105oC). Com esse último resultado, pode-se
então calcular a MS absoluta da forragem amostrada. O teor de
MS parcial da amostra pré-secada, determinado no item 3, deve
ser multiplicado pelo seu conteúdo de MS informado pelo laboratório. Por exemplo, na amostragem de um pasto de capim colonião obtém-se os seguintes dados:
b) peso pré-seco = 0,312 kg c) o laboratório informa que a amostra pré-secada, como analisada, apresentou 80,13% de MS.
MS parcial = 100 - (0,999 - 0,312) x 100 = 31,23% 0,999
Isso significa que 100 kg do capim colonião “como oferecido” contêm, de fato, 25,03 kg de MS. O restante é água.
Como extrapolar outros resultados da análise bromatológica para a base “como oferecido”:
Para converter os dados na base seca para a base natural (MN ou "como "oferecido"), basta multiplicar os resultados informados pelo laboratório pelo teor de MS absoluta da amostra.
b) se o laboratório informar os resultados na base “como analisado” (isto é, com base na amostra pré-secada), a extrapolação para a base “como oferecido” é obtida simplesmente multiplicando-se os resultados do laboratório pela MS parcial:
1. Observe que a notação de um valor em porcentual pode ser escrita e utilizada de diversas formas, tais como: trinta
e dois porcento = 32%= 32/100= 0,32
Nas
forragens verdes que se encontram no mesmo estágio vegetativo,
a composição da MS é relativamente constante, mas
o teor de MS pode apresentar grande variação diária,
devido aos fatores climáticos. Portanto, quando se dispõe
de uma Tabela que informa a composição média na
base seca, basta multiplicar tais valores pelo teor de MS da forragem
no momento em que é consumida pelos animais para estimar, com
alguma confiança, sua composição "in natura"
(na MN). Assim,
é recomendável controlar o teor de MS dos diversos alimentos
empregados na propriedade rural, especialmente das forragens verdes.
Se não for possível determinar a MS absoluta, a MS parcial
já dará um bom indício. Se ainda assim não
houver como fazer tal determinação, pode-se também
recorrer às Tabelas, que igualmente reportam o valor médio
de MS dos principais alimentos. Porém, esse valor médio
de MS encontrado nas Tabelas geralmente apresenta elevado coeficiente
de variação, devendo portanto ser considerado com reserva.
A conversão da base “como oferecido” para a base seca é muito comum quando se pretende diagnosticar o nível nutricional de uma categoria do rebanho. Por exemplo, deseja-se avaliar o plano alimentar de um lote de bovinos confinados cuja dieta é constituída de:
Para estimar a quantidade de MS contida na ração, multiplica-se
a quantidade consumida de cada ingrediente pelo respectivo teor de MS
original:
As quantidades dos demais nutrientes na dieta são obtidas multiplicando-se a quantidade de MS de cada alimento pelos teores correspondentes:
Finalmente, para se saber se a dieta está balanceada, confronta-se
as quantidades de nutrientes consumidos com os requisitos nutricionais
daquela categoria animal. Por exemplo, o NRC considera que bois com
300 kg de peso vivo (PV), ganhando 0,900 kg de PV/cab/dia, necessitam
consumir diariamente 8,1 kg de MS; 0,810 kg de PB; 19,5 Mcal de EM;
22 g de cálcio e 19 g de fósforo. Então, no presente
caso, conclui-se que o lote em questão está
recebendo uma dieta balanceada em MS, energia e cálcio, e que
está havendo um suprimento excessivo (superávit) de proteína
e de fósforo. Uma recomendação possível nesse exemplo seria substituir as fontes protéicas da dieta (uréia e torta de algodão) por concentrados energéticos, que forneceriam a mesma quantidade de MS e energia, ao mesmo tempo que menos proteína. Se continuar ocorrendo um superávit de fósforo mesmo após ajustar a proteína, deve-se ao menos acrescentar uma fonte de cálcio, de forma que a relação Ca:P aproxime-se de um nível apropriado (relação de 1:1, ou superior em Ca).
Conversão
da base seca para a base “como oferecido” O passo final do balanceamento de uma ração consiste em converter as quantidades determinadas de MS de cada alimento para a base natural, isto é, aquela em que o alimento se encontra disponível para o animal. Isto se obtém mediante regras-de-três, depois de se apurar o teor de MS existente no alimento como é oferecido. Por exemplo, se o balanceamento determina que 4 kg de MS sejam fornecidos por uma dada silagem, e esse alimento se apresenta com apenas 27% de MS, então o animal deverá consumir 14,8 kg de silagem in natura:
Caso se dispusesse de uma silagem de melhor qualidade, com 33% de MS, por exemplo, então seriam necessários somente 12,1 kg MN.
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