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Produtos e subprodutos da mamona
Cultivares
Existem várias cultivares de mamoneira disponíveis para o plantio. Elas diferem em porte, deiscência dos frutos, tipo dos cachos e outras características. A CATI, através da coordenação do Centro de Testes, Avaliação e Divulgação (Cetadi), com a colaboração de várias unidades do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes , desenvolveu a cultivar AL Guarany 2002, obtida mediante seleção massal clássica em mamona Guarani.
AL Guarany 2002
Apresenta características agronômicas e tecnológicas de grande aceitação, tanto pelos agricultores do Estado de São Paulo, quanto de outros Estados do Brasil, principalmente pela suas qualidades industriais.
Cultivar de boa rusticidade, é resistente à seca e apresenta capacidade de produção média entre 1.000 e 2.000kg/ha de grãos (bagas ou frutos descascados) em condições de sequeiro.
Tecnologia de produção
o
relevo, preferencialmente plano ou suave ondulado, com declividade
inferior a 12%, utilizando-se sempre o plantio em nível. O
solo deve ter pH próximo da neutralidade e ser bem preparado,
em sistema convencional ou, preferencialmente, plantio direto, utilizando-se
práticas que evitem erosão. A mamoneira tem raiz pivotante
profunda, podendo chegar a cerca de 2m, o que contribui para a sua
resistência à seca. Áreas mal preparadas, com
camadas adensadas, impedem o seu desenvolvimento, ocasionando plantas
de porte menor e baixa produtividade.
Semeadura
A fertilidade do solo, a época de semeadura e o espaçamento devem ser levados em consideração. Em solos de alta fertilidade, a planta tende a apresentar porte maior, sendo necessária a ampliação do espaçamento para evitar estiolamento. Em solos de baixa fertilidade natural ou desgastados, utilizar maior densidade populacional, uma vez que as plantas tendem a ter porte menor.
O porte da planta também varia em função da disponibilidade de água, sendo maior quando semeada no início do período chuvoso e diminuindo à medida que se atrasa a época de semeadura.
A definição do espaçamento leva em consideração a cultivar, variando de 3m (entrelinhas) x 1m (entre as plantas na linha) até 0,5m x 0,3m. Para a cultivar AL Guarany 2002, recomenda-se espaçamento de 1,5m (entrelinhas) x 1m (na linha) em semeadura de verão e 1m (entrelinhas) x 1m (na linha), em solos de baixa fertilidade e/ou semeadura de safrinha, ou seja, 6.667 plantas ha-1 (verão) e 10 mil plantas ha-1 (safrinha), com gasto de semente em torno de 5 a 10kg ha-1
Para
semeadura manual, recomendam-se duas sementes/cova, com posterior
desbaste e, para semeadura mecanizada, uma semente/cova, considerando
a porcentagem de germinação da semente para o cálculo
de necessidade de semente ha-1. As sementes devem ser colocadas para
germinar a uma profundidade de 5 a 8cm, dependendo do tipo de textura
do solo. Em solos mais leves ou arenosos, sementes mais fundas; nos
pesados ou argilosos, mais rasas. A profundidade dependerá,
ainda, do método de plantio (manual ou mecânico) e do
controle de plantas daninhas.
Para o Estado de São Paulo, a época de semeadura vai de setembro a março, desde que haja disponibilidade hídrica e não exista risco de geada. Semeaduras tardias têm reflexos negativos na produção. As restrições são áreas sujeitas a ventos fortes, geada e/ou baixa temperatura e alta umidade relativa por longos períodos. Para regiões com limitações de temperatura por causa de inverno acentuado, o produtor precisa avaliar a possibilidade de semeadura antecipada, ou seja, logo no início do período chuvoso, utilizando cultivares de ciclo curto ou médio, buscando obter produção antes do período com limitações.
Calagem e adubação
A mamoneira é uma planta exigente em nutrientes, razão pela qual é importante fazer a análise de solo. Dados sobre recomendação de adubação podem ser obtidos no Boletim 100 do Instituto Agronômico de Campinas. Recomenda-se a aplicação de calcário para elevar a saturação por bases (V%) a 60% e o teor de magnésio a um mínimo de 5mmolc /dm3. Na semeadura: 15kg/ha de N, 40-80kg/ha de P2O5 e 20-40kg/ha de K2O. Em cobertura, 30-40 dias após a semeadura: 30-60kg/ha de N.
Na falta da análise de solo podem ser aplicados no sulco de plantio, por hectare, 40kg de sulfato de amônio + 300kg de superfosfato simples + 50kg de cloreto de potássio. No caso de uso de fórmulas podem-se aplicar no sulco de plantio, por hectare, 300kg de 4-14-8 ou 200kg de 4-30-10. A adubação de cobertura por hectare, para os dois casos, deve ser na base de 160kg de sulfato de amônio ou 75kg de uréia.
Para adubação
orgânica podem-se utilizar torta de mamona, casca de mamona
e outros, 2-3t/ha. Os restos de cultura de mamona, quando incorporados,
promovem uma substancial melhoria do solo.
Controle de plantas daninhas
A mamoneira é bastante sensível à competição causada pelas plantas daninhas, ocorrendo perda significativa de produtividade em caso de controle inadequado. O período crítico de competição se estabelece nos primeiros 70 dias após a emergência das plantas.
Podem-se utilizar diversos métodos de controle de plantas daninhas, como o manual, via uso de enxada, o mecânico com uso do cultivador, o cultural, o químico, com o uso de herbicidas, e o integrado, envolvendo pelo menos dois dos métodos anteriormente citados ao mesmo tempo.
Para que o pequeno produtor possa manter a cultura livre da concorrência com as plantas daninhas são necessárias apenas duas ou três capinas ou o uso correto do cultivador (pequena profundidade, de 2 a 3cm, operação feita dentro do período crítico e complemento dentro das fileiras com a enxada). Capinas efetuadas fora desse período podem ser prejudiciais à lavoura. O emprego de herbicidas necessita de acompanhamento de profissional especializado, pois envolve vários tipos de conhecimento (correção do pH da água a ser utilizada, calibração dos pulverizadores, uso de bicos adequados, definição de produtos e dosagens a serem utilizados, métodos de aplicação, etc).
Rotação de culturas
A rotação de culturas é uma das mais importantes práticas agrícolas, embora muitas vezes negligenciada pelos produtores. Trata-se de um método eficaz de prevenção de pragas, doenças e de conservação do solo. Recomenda-se a rotação com culturas como milho, sorgo, amendoim, feijão, adubos verdes, além de evitar plantios sucessivos de mamona na mesma área. Após dois anos, recomenda-se mudar de local e evitar áreas ocupadas com mamonas nativas.
Pragas e doenças
A mamoneira, como toda e qualquer planta domesticada e cultivada, é suscetível a vários insetos e ácaros que podem lhe causar danos. As pragas que, esporadica-mente, podem atacar a mamoneira são percevejo-verde, cigarrinhas, lagarta-das-folhas, lagarta-rosca, lagarta-do-solo, ácaro-rajado, ácaro- vermelho.
Existem
outros artrópodes que atacam a mamona, o feijão ou outra
cultura que vier a ser consorciada, destacando-se para a mamona os
seguintes: ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e lagarta-imperial
(Eacles imperialis). Para o feijão-vigna, destacam-se: paquinha
(Neocurtilla hexadactyla), vaquinha (Diabrótica speciosa),
lagarta-militar (Spodoptera frugiperda), várias espécies
de pulgões, em especial (Aphis gossypii e Aphis fabae), mosca-branca
(Bemisia spp.), percevejo-vermelho (Crinocerus bimaculatus) e minador-das-folhas
(Liriomyza sativae).
Observando-se qualquer sintoma de doença ou incidência de pragas, o produtor deve procurar um agrônomo para que possa receber as orientações adequadas para cada caso. No Estado de São Paulo, a Casa da Agricultura (CATI) do seu município.
Colheita
O sistema de colheita
varia de acordo com a cultivar utilizada, podendo ser manual ou mecânica.
Na colheita
A umidade ideal dos frutos para colheita é em torno de 10%. Para dimensiona-mento do terreiro deve-se considerar uma área de 200m2 para a secagem da pro-dução de um hectare de mamona. Os frutos de cultivares deiscentes se abrem depois de secos e soltam os grãos. Os que não abrirem devem ser batidos com varas ou submetidos ao beneficiamento por meio de máquinas simples manuais ou elétricas. Cultivares indeiscentes, como a AL Guarany 2002, necessitam de operação mecânica para separar o grão e a casca.
Armazenamento
Depois da secagem e beneficiamento, os grãos (bagas) devem ser armazenados. Utilizam-se sacos de 60kg para colocar os grãos limpos, devendo ser armazenados em local apropriado, com estrado de madeira, para evitar o contato direto dos grãos com água e outros materiais que possam prejudicar a sua qualidade.
Comercialização
É um aspecto fundamental e precisa ser avaliado antes da decisão de plantar mamona. Para iniciar na atividade é necessário conhecer o mercado, verificar os preços locais e internacionais, os compradores próximos e a possibilidade de elaboração de contrato de aquisição com as indústrias interessadas, como garantia de compra da produção.
As cotações de preços no Brasil têm por base as cotações de Irecê-Bahia e Roterdã-Holanda, em nível internacional. O Jornal Gazeta Mercantil, de São Paulo, além de vários sites, fornecem diariamente cotações relacionadas à cultura, sendo usualmente utilizadas como referência em contratos de produção.
O Departamento de Sementes e Mudas da CATI, através do Centro de Testes, Avaliação e Divulgação, e seus Núcleos de Produção de Sementes, com destaque para Ataliba Leonel, sediado em Manduri/SP, de onde provêm as cultivares AL, multiplica, em parceria com cooperadores, sementes de mamona AL Guarany 2002 e IAC-Guarani. São sementes certificadas, de qualidade garantida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Além destas, podem ser encontradas sementes de milho, girassol, soja, amendoim, cereais de inverno e outras com os melhores preços do mercado.
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Na
escolha da área a ser semeada com mamona, deve-se considerar

manual,
os cachos devem ser cortados na base, depositados em cestas ou jacás
e levados ao terreiro para finalizar a secagem. Cultivares deiscentes,
ou que soltam os grãos, devem ser colhidas em várias
etapas quando o cacho apresentar cerca de 70% de frutos maduros, sendo
neces-sária a secagem no terreiro. Para a cultivar AL Guarany
2002, indeiscente, a colheita é manual e realizada em uma ou
duas etapas, quando os frutos estiverem totalmente secos, diminuindo
o serviço de secagem no terreiro. A inovação
tecnológica para a cultura da mamona é a possibilidade
de colheita mecânica utilizada nos Estados de Minas Gerais e
Mato Grosso.Para aplicação da tecnologia é necessário:
adequação das lavouras com relação à
época de semeadura; utilização de espaçamentos
menores; controle de plantas daninhas com herbicidas; possibilidade
de uso de dessecantes ao final do ciclo; preferencialmente o plantio
direto; uso de híbridos próprios para colheita mecânica
e aquisição ou aluguel de kit de adaptação
para colheita mecanizada de mamona instalado em plataformas de colheita
de milho.