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Introdução
As infecções pelo hantavírus constituem-se em uma novidade no Brasil, portanto o conhecimento acumulado sobre a doença ainda é muito pequeno. Segundo informações prestadas pelos pesquisadores do Laboratório Central do Instituto Adolfo Lutz, nos últimos anos foram relatados casos em várias localidades brasileiras. No Estado de São Paulo, ocorreram casos em Juquitiba, Franca, Araraquara, Nova Guataporanga, Tupi Paulista, Guariba, Jardinópolis, Santa Mercedes, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Botucatu e Pontal. Ocorreram casos também na cidade de São Paulo e em Lucélia, mas que provavelmente se infectaram nos municípios de Cotia e Caiabu, respectivamente. Algumas dessas ocorrências foram letais.
Por ser um vírus que se transmite através da inalação de partículas dispersas no ar, contaminadas com urina e fezes de roedores silvestres brasileiros infectados (Bolomys lasiurus, Akodon sp., Oligoryzomys sp.), podendo levar à morte, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através da CATI, em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde e outros órgãos coligados, apresenta neste Comunicado Técnico as principais recomendações para a prevenção da doença nas atividades realizadas pelos profissionais das áreas de agronomia, veterinária, zootecnia e outras. Também estão descritos os principais sintomas e a conduta médica adequada.
O que é o hantavírus
Trata-se de vírus da família Bunyaviridae, gênero Hantavirus, com distribuição universal. Tem como reservatório pequenos mamíferos, principalmente roedores silvestres que se infectam pelo vírus e, após um período de viremia, desenvolvem imunidade e apresentam anticorpos, os quais não são suficientes para total eliminação do vírus. O roedor passa, então, a excretá-lo pela urina, fezes e saliva.
Modo de transmissão
A transmissão para o ser humano geralmente ocorre pela inalação de poeiras contaminadas com fezes, urina e saliva de ratos infectados. O vírus pode sobreviver por várias horas no ar. Além da via respiratória, o contato das fezes e urina de ratos com pequenos ferimentos na pele, olhos, nariz e boca pode provocar a entrada do vírus no organismo humano.
Existem pouquíssimos relatos de casos de transmissão de pessoa para pessoa.
Principais sintomas de infecção pelo hantavírus
A doença ocasionada por Hantavírus, descoberta em 1993, chama-se Síndrome Pulmonar por Hantavírus. Atinge principalmente jovens e adultos, mesmo saudáveis. Quando infectados podem apresentar edema agudo de pulmão, de origem não-cardiogênica, com rápida progressão para falência e óbito. Outra doença relacionada com o Hantavírus é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal.
No Brasil somente existe relato de ocorrência da Síndrome Pulmonar por Hantavírus. Os pacientes inicialmente apresentam febre, cansaço e dor nos músculos. Aproximadamente metade deles apresenta também dor de cabeça, tonturas, calafrios, náuseas, vômitos, diarréia, dor abdominal e todos podem, posteriormente, apresentar tosse e falta de ar. Os sintomas podem aparecer de uma a seis semanas após o contato com as fezes, urina ou saliva de roedores.
Procedimentos em caso de infecção
Se uma pessoa tiver contato com roedores silvestres e apresentar sintomas, como febre, dor nos músculos e falta de ar, procure imediatamente um médico. Até o momento não existe tratamento específico para essa doença, porém quanto mais rápido for diagnosticada, maior a possibilidade de cura, com um tratamento sintomático e de suporte na Unidade de Terapia Intensiva .
Notificação de casos suspeitos
Casos suspeitos deverão ser notificados ao Centro de Vigilância Epidemiológica- CVE. Tel.: (0xx11) 0800 55-5466 (24 horas).
É importante a comunicação dos seguintes dados:
Medidas de Controle
A melhor maneira de se evitar a contaminação por Hantavírus é a prevenção e controle da doença por meio da redução do risco de exposição, com a adoção de práticas de higiene ambiental que impeçam o roedor de se instalar no ambiente domiciliar ou de trabalho.
As medidas gerais para a prevenção de infestação de roedores recomendadas pelo CDC e pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, são as seguintes:
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde - Coordenação dos Institutos de Pesquisa - Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac" - Divisão de zoonoses. Para obter mais informações sobre o Hantavirus mande um e-mail: dvzoo@saude.sp.gov.br
Texto: cleusa@cati.sp.gov.br - 01/2000 Revisão: rabello@cati.sp.gov.br
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